Ibaneis Rocha abre mão do Senado sob cerco de investigações

Ibaneis Rocha (MDB)Reprodução/Twitter

A menos de duas semanas das convenções partidárias, em 20 de julho, o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), anunciou na noite desta quarta-feira (8) que desistiu da candidatura ao Senado Federal, nas eleições de 2026. A decisão move diretamente com o tabuleiro político de Brasília e acontece em meio a investigações da Polícia Federal (PF) sobre supostas fraudes em negócios bilionários envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master com o ex-gestor compondo o enredo.

Ibaneis justificou a desistência dos planos eleitorais que está cansado e que vai se afastar da vida pública. O emedebista governou o DF por dois mandatos consecutivos (8 anos), de 2019 até março de 2026, quando deixou a cadeira principal no Palácio do Buriti, cumprindo o prazo legal da desincompatibilização para concorrer a uma vaga no Congresso Nacional (Senado).

Segundo Ibaneis, no momento ele precisa de recolhimento pessoal e descarta disputar a qualquer outro cargo político nesse ano eleitoral. Ele se deslocou para fazenda de sua propriedade e afirmou que só retorna a Brasília depois das convenções partidárias, após 5 de agosto. “Quero descansar. Já cuidei de Brasília e agora quero cuidar de mim”, resumiu.

O ex-gestor do DF e candidato ao Senado ainda não atualizou seus canais digitais que ainda consta anúncio da candidatura marjoritária para este pleito:

Perfis oficiais de Ibaneis Rocha ainda consta como candidato para o pleito desse ano.Reprodução/redes sociais

Pressões no bastidores

Já nos corredores o burburinho é de que há uma grande pressão jurídica e política por trás da candidatura de Ibaneis. O nome do emedebista orbita na PF e Poder Judiciário, em operações como a Operação Compliance Zero e as que envolvem a compra do BRB pelo banco de Daniel Vorcaro, e cenário de uma série de irregularidades e indicações de fraudes administrativas e financeiras.

Segundo as investigações e últimas operações da corporação, mais informações foram levantadas após depoimentos colhidos de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, que está preso preventivamente no Complexo Penitenciário da Papuda.

Costa declarou às autoridades que sofreu pressões do então governador de Brasília, a fim de acelerar as tratativas da venda do BRB ao Master. Segundo Costa, o objetivo era finalizar a negociação antes do término do mandato de Ibaneis Rocha.

Caminho das pedras: investigações ao BRB

A Polícia Federal faz análise técnica ampla, com grande volume de dados oficiais. A informação da corporação é de que o ex-presidente do banco forneceu os acessos a seus dispositivos eletrônicos, o que permitiu que a perícia da PF extraísse mais de mais de 50 gigabytes de arquivos em formatos diversos: mensagens, cronogramas e registros do BRB da fase em que as negociações financeiras eram estruturadas.

Ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique CostaDivulgação/BRB

Não há até o momento, qualquer ordem emitida da justiça direcionada a Ibaneis Rocha. A inclusão do seu nome no cenário segue as diretrizes administrativas e processuais, já que ele o emedebista exercia o cargo de autoridade máxima no âmbito governamental em Brasília, durante o ocorrido entre o Banco Master e o o banco estatal do DF.

A redação do iG entrou em contato com o diretório nacional do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) para esclarecimentos sobre a desistência de Ibaneis Rocha, mas até o fechamento desta matéria, o partido não retornou com posicionamento. O espaço segue aberto para manifestações. 

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