Presidente do Rio Metrópole é preso por desvio de R$ 86 milhões

Presidente do Instituto Rio Metró, Davi Perini Vermelhopole, Reprodução/TV Globo

O presidente do Instituto Rio Metrópole (IRM), Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, foi preso durante uma operação de combate a desvio de verbas no Instituto. A prisão foi feita na manhã desta quinta-feira (9), no Rio de Janeiro. 

Davi, que também é ex-presidente da Câmara de São João de Meriti, liderava o núcleo de servidores públicos investigados. De acordo co a denúncia, ele autorizava contratações, firmava contratos e controlava os pagamentos realizados pela autarquia.

A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) (GAESF/MPRJ), denunciou ainda outras 10 pessoas. Elas são investigadas pelos crimes de organização, corrupção passiva, fraude em licitações e contratos e lavagem de dinheiro.

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e nove de busca e apreensão na capital fluminense, em São Gonçalo (RJ) e Teresópolis (RJ). Segundo o Ministério Público, o esquema utilizou contratos firmados entre julho de 2022 e maio de 2026 para desviar recursos do Instituto Rio Metrópole, gerando um prejuízo estimado em até R$ 86,28 milhões aos cofres públicos.

Durante a coletiva, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, destacou que a operação é resultado de um trabalho integrado.

O procurador informou ainda que foi criado um fluxo eletrônico específico para acelerar o encaminhamento dos fatos, permitindo maior agilidade na instauração de investigações.

“A partir dessas comunicações, instauramos diversos procedimentos investigatórios. Este não é o único caso em andamento. Existem outras investigações decorrentes de informações encaminhadas pelo Executivo.”

Coletiva Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ)Rodrigo T. Ribeiro/iG

Presidente do IRM é apontado como líder do esquema

Segundo a denúncia, o presidente do Instituto Rio Metrópole, Davi Perini Vermelho, conhecido como “Didê”, liderava o núcleo de servidores públicos investigados. 

Além do de Didê, também tiveram prisão preventiva decretada o diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM e delegado da Polícia Civil, Franquis Dias Nepomuceno; o ex-procurador-geral do instituto, Marcelo Lopes da Silva; Caroline Soares Barros, apontada como fiscal dos contratos e presidente do Instituto BIO; e Amanda Íthala Santos da Paschoa, sucessora na fiscalização dos contratos. O diretor de Planejamento e Projetos do IRM, Maurício Silva Knoploch dos Santos, também teve a prisão decretada e, segundo o MPRJ, encontra-se foragido.

Outros cinco denunciados responderão ao processo com medidas cautelares diversas da prisão, entre elas monitoramento eletrônico, comparecimento periódico à Justiça e proibição de deixar o país.

Como funcionava o esquema

Segundo as investigações, o IRM celebrou contratos milionários com as empresas Engeconsult Consultores Técnicos Ltda. e R. Peotta Engenharia e Consultoria Ltda. Parte dos recursos era repassada ao Instituto BIO por meio de contratos considerados simulados.

O dinheiro, segundo o Ministério Público, era transferido para a conta da presidente da entidade, sacado em espécie e transportado com apoio de uma empresa privada de segurança armada para dificultar seu rastreamento.

As investigações tiveram início em janeiro deste ano, após Caroline Soares Barros ser flagrada transportando R$ 500 mil em espécie, sacados em uma agência bancária de Teresópolis. A análise dos equipamentos apreendidos identificou 28 transferências das empresas para o Instituto BIO, totalizando R$ 3,29 milhões.

Ainda conforme o MPRJ, a Engeconsult recebeu R$ 58,3 milhões em dois contratos, enquanto a R. Peotta Engenharia recebeu R$ 25,1 milhões em um contrato e três termos aditivos.

Corrupção e crise fiscal

Ao comentar o alcance da investigação, Antonio José Campos Moreira afirmou que o caso revela um problema estrutural de infiltração de organizações criminosas na administração pública e associou esse cenário às dificuldades financeiras enfrentadas pelo Estado do Rio de Janeiro.

Na avaliação do procurador-geral, esse tipo de prática ajuda a explicar a prolongada crise fiscal fluminense.

“Isso talvez explique a situação de dificuldade financeira pela qual o nosso Estado passa há décadas.”

Ele ressaltou ainda que a investigação sobre o Instituto Rio Metrópole não está encerrada e que novos fatos continuam sendo apurados.

“A investigação a respeito do Instituto Rio Metrópole não está exaurida. Ela diz respeito a este fato específico. Outros fatos de gravidade igual ou até superior estão sendo objeto de investigação.”

Medidas judiciais

Além das prisões, o Ministério Público requereu à Justiça o bloqueio e o sequestro de bens dos denunciados e das empresas envolvidas até o limite de R$ 86.280.427,03. Também foi solicitado o pagamento solidário de R$ 200 milhões por danos morais coletivos.

A Justiça ainda determinou o afastamento dos agentes públicos denunciados de suas funções. O MPRJ também pediu a suspensão imediata dos contratos e de quaisquer pagamentos às empresas investigadas, além do compartilhamento das provas para subsidiar outras investigações nas esferas cível e criminal, incluindo a apuração de possíveis funcionários fantasmas e novas irregularidades em contratos do Instituto Rio Metrópole.

O que é o Instituto Rio Metrópole

O Instituto Rio Metrópole é uma autarquia vinculada ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, responsável pelo planejamento e pela coordenação de políticas públicas de interesse comum dos municípios da Região Metropolitana. Entre suas atribuições estão a elaboração de estudos e projetos nas áreas de mobilidade urbana, saneamento, habitação, infraestrutura, meio ambiente e desenvolvimento regional, além da integração entre os municípios para a execução de ações metropolitanas.

Por administrar recursos destinados a projetos estruturantes para a Região Metropolitana, o IRM exerce papel estratégico no planejamento estadual, tornando a apuração de possíveis desvios de recursos públicos uma investigação de grande relevância para a administração pública e para a sociedade.

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