
Uma adolescente de 14 anos que encontrou o próprio nome em uma lista sexualizada atribuída a alunos do Colégio Cruzeiro voltou ao psicólogo após o caso. A mãe classifica a exposição como uma “violência imensa” e relata que outras estudantes ficaram envergonhadas e não querem mais ir à escola.
A jovem descobriu o conteúdo ao pesquisar o próprio nome no Google enquanto brincava com amigas. Ela foi uma das sete alunas ouvidas na quinta-feira (09) pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV). Ao g1, a mãe contou que a filha demorou a entender o que havia acontecido.
“Ela estava brincando com as amigas de jogar o nome dela no Google, e quando ela fez isso apareceu esse site. Ela contou de uma forma bem incrédula, acho que ela ficou sem entender quem poderia ter feito isso com ela. Ficou com raiva e incrédula”, relatou.
A lista reunia nomes de 65 estudantes do 9º ano, com idades entre 14 e 15 anos. As adolescentes foram separadas em categorias de teor sexual e depreciativo.
Mãe relata impacto entre as estudantes
Segundo a mãe, a filha fez questão de prestar depoimento e tentar identificar os responsáveis. Apesar de ter retomado o acompanhamento psicológico, ela estaria lidando de forma razoável com o episódio.
A reação não foi a mesma entre todas as vítimas.
“Ela fez questão de ir na delegacia, tentar achar o responsável, então acho que ela está lidando bem com isso. Mas tem menina que reagiu muito mal, que não quer mais ir para a escola, que está envergonhada”, afirmou.
Para a mãe, a divulgação pela internet ampliou os efeitos da exposição. Ela citou a circulação dos nomes e sobrenomes das adolescentes como um dos fatores que aumentaram o alcance do conteúdo.
“Todo mundo no Rio de Janeiro está falando disso, o sobrenome da minha filha está circulando. Acho que a exposição nas redes sociais fez com que a escala da violação fosse muito maior. Claro que tinha ranking antigamente, também tinha uma violação, mas hoje é muito pior”, disse.
Família cobra responsabilização

A mãe afirmou que registrou um boletim de ocorrência porque considera necessária a responsabilização de quem criou e divulgou a lista.
“Eu acho fundamental, por isso que eu fiz tanta questão de abrir um boletim de ocorrência, várias outras mães abriram. Eu não quero que ninguém mais passe por isso que minha filha tá passando, que essas meninas estão passando”, declarou.
Ela também cobrou maior acompanhamento dos responsáveis pelos adolescentes investigados.
“Tem aí uma responsabilização dos pais que estão sendo omissos, ou que não estão monitorando o celular dos filhos, ou que não estão conversando com eles. É realmente algo que tem que acontecer”, afirmou.
Polícia investiga criação e divulgação da lista
A Polícia Civil tenta identificar quantos estudantes participaram da criação do material e se outras pessoas ajudaram a compartilhá-lo.
Os investigados são menores de idade e poderão responder por atos infracionais análogos aos crimes de injúria, difamação e submissão de adolescente a vexame ou constrangimento. Outras condutas podem ser incluídas caso a investigação encontre provas de ameaças ou violência psicológica.
O diretor da unidade de Jacarepaguá foi ouvido pela DCAV na quarta-feira (08). Em depoimento, ele afirmou que a escola também tenta identificar internamente os responsáveis. O diretor deixou a delegacia sem falar com a imprensa.
Em nota enviada anteriormente ao iG, o Colégio Cruzeiro informou que registrou a ocorrência, pediu a retirada do conteúdo da plataforma e comunicou as famílias. A instituição também afirmou que iniciou o atendimento às estudantes citadas e aos familiares.
