Mulheres imigrantes temem ficar sem abrigo após prefeitura não renovar contrato de casa de acolhida na Zona Leste de SP


Casa de Acolhida de Imigrantes da cidade de SP corre risco de fechar
Mulheres imigrantes e refugiadas acolhidas em uma casa de apoio na Penha, na Zona Leste de São Paulo, dizem ter sido informadas de que precisarão deixar o local até a próxima terça-feira (14), quando termina o contrato entre a prefeitura e a instituição responsável pelo serviço.
Mantido desde 2006 pela Congregação das Irmãs Palotinas em parceria com a prefeitura, o centro oferece moradia temporária a mulheres que chegaram ao Brasil fugindo de guerras, violência ou situações de extrema pobreza, vindas de países como Angola, República Democrática do Congo e África do Sul.
O contrato mais recente, assinado em janeiro deste ano, prevê um repasse mensal de R$ 182 mil para o atendimento de até 80 mulheres e vence na próxima terça-feira.
Casa de Acolhida de Imigrantes está ameaçada de fechar as portas
Reprodução/TV Globo
A proximidade do encerramento do contrato tem sido motivo de apreensão entre as moradoras. Algumas afirmam ter sido avisadas por funcionários de que o serviço será encerrado e que precisarão deixar o imóvel. Entre elas está uma angolana grávida que chegou ao abrigo na quarta-feira (8) com a filha de 8 anos e diz que soube, pouco depois de entrar, que não poderia permanecer no local.
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Em dezembro do ano passado, após o anúncio do fechamento de outro centro de acolhida para imigrantes, o Tribunal de Justiça de São Paulo proibiu a prefeitura de encerrar atividades, rescindir contratos de gestão ou reduzir o número de vagas de equipamentos de acolhimento da rede socioassistencial da cidade.
A decisão também determinou a manutenção dos atendimentos nos moldes vigentes, sob pena de multa diária de R$ 30 mil, limitada a R$ 1 milhão. A prefeitura recorreu, mas a Justiça manteve a decisão em março.
O Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (Cami), que acompanha o atendimento a imigrantes e refugiados na capital, afirma que acompanha a situação e teme que mulheres em situação de vulnerabilidade fiquem desassistidas.
Em nota, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social informou que, com a aproximação do fim do contrato, a organização responsável pela casa decidiu não dar continuidade ao gerenciamento do serviço. A pasta afirmou que iniciou o reordenamento das famílias para outros serviços de acolhimento.
Já a Congregação das Irmãs Palotinas informou que depende integralmente dos repasses da prefeitura para manter a unidade e que, sem recursos próprios para custear a estrutura, foi obrigada a encerrar a prestação do serviço.
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