Gimmel Tammuz: O Legado Espiritual do Rebe de Luvacitch

Gimmel Tammuz: Uma Experiência Espiritual no Legado do Rebbe de LubavitchDivulgação

No Gimmel Tammuz deste ano de 5786, tive a oportunidade de vivenciar uma experiência espiritual singular e profundamente transformadora.

A data marca o Yortzeit — o aniversário de falecimento — do Rebbe de Lubavitch, Rabi Menachem Mendel Schneerson, uma das figuras mais influentes do judaísmo contemporâneo.

O Rebbe de Lubavitch foi o sétimo líder do movimento Chabad-Lubavitch e um visionário que redefiniu o alcance do judaísmo no mundo moderno.

Em um período particularmente sensível da história judaica, no aftermath do Holocausto, quando a fé de muitos se encontrava abalada, o Rebbe promoveu uma verdadeira revitalização espiritual.

Por meio de sua liderança, estabeleceu uma rede global de emissários, os shluchim, que até hoje atuam nos quatro cantos do mundo com uma dedicação extraordinária, levando educação, prática religiosa e apoio comunitário a judeus de todas as origens.

Estar presente no Ohel, em Cambria Heights, Nova York — local onde o Rebbe está enterrado — foi uma experiência de intensa conexão espiritual.

A atmosfera é de reverência, introspecção e fé viva. Uma energia humanamente inexplicável.

A sensação de proximidade, mesmo décadas após seu falecimento, é algo difícil de descrever com palavras: há uma força inabalável de continuidade, como se sua liderança ainda estivesse presente e atuante.

Da mesma forma, visitar o 770 da Eastern Parkway, sede mundial do movimento Chabad em Crown Heights, no Brooklyn, também em Nova York, trouxe uma percepção ainda mais profunda do impacto do Rebbe.

O local pulsa com estudo, oração e atividade constante, com funcionamento 24/7, sendo um verdadeiro centro de vida judaica.

Foi ali que compreendi de forma mais clara a devoção de seus seguidores e a dimensão de sua influência.

Parte significativa do movimento Chabad acredita que o Rebbe de Lubavitch foi o Messias de sua geração, entendendo que ele cumpriu todos os requisitos tradicionalmente associados a essa condição — como a descendência da linhagem do rei David, liderança espiritual sobre o povo judeu, e o papel de inspirar o retorno à observância da Torá.

Para esses seguidores, entre os quais me incluo, os sinais da Redenção estão próximos e em processo de revelação.

Interessante notar que, durante essa jornada, tive também uma reflexão marcante baseada no versículo de Ezequiel 11:16, interpretado no Talmud (Meguilá 29a), que ensina que, mesmo no exílio, Deus se faz presente por meio de um “mikdash me’at” — um “pequeno santuário”, representado pelas sinagogas e casas de estudo.

Essa ideia ganha uma dimensão especial dentro do movimento Chabad porque, a partir dessa perspectiva, o próprio 770 pode ser visto como uma expressão do conceito do santuário acima mencionado, sendo chamado de “Beis Rabeinu Sheb’Bavel” (“Nossa Casa do Rebe na Babilônia”).

Além disso, por gematria (método judaico de considerar que cada letra do alfabeto hebraico tem um valor numérico, e a soma das letras de uma palavra gera um número que pode ser comparado com outras palavras ou expressões de mesmo valor), o número 770 corresponde à expressão “Beis Moshiach”.

Assim, e de acordo com setores do movimento, por ocasião da Redenção completa o Terceiro Beit Hamikdash será revelado inicialmente nesse local (770), e de lá será transferido para Jerusalém, juntamente com o próprio Rebbe.

Essa profunda experiência espiritual me fez reforçar a convicção de que, independentemente da fé ou tradição de cada um, a religião existe como um meio de aproximar o ser humano de Deus.

No fundo, todas as religiões — sobretudo as monoteístas, com as quais tive mais contato — compartilham um anseio comum pela paz, pela elevação espiritual e pela harmonia entre os povos.

Sim, há algo de universal na busca espiritual e na conexão com o transcendente, que ultrapassa fronteiras sociais, culturais e teológicas.

Concluo desejando que a paz completa esteja próxima e que a humanidade possa se elevar diante da presença do Criador.

*Marcelo Yosef Knopfelmacher, empresário baseado em Londres, com atuação no Brasil e no Oriente Médio

Co-fundador do grupo Judaísmo sem Partido

Adicionar aos favoritos o Link permanente.