
Depois de 700 anos no fundo do Mar Mediterrâneo, 22 blocos gigantes do antigo Farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, foram retirados por mergulhadores em uma operação arqueológica na costa da cidade egípcia de Alexandria.
Algumas das peças pesam entre 70 e 80 toneladas e incluem partes da entrada do farol, como grandes blocos da porta, o limite da passagem e partes da base da construção.
Uma das estruturas era até então desconhecida, um pilar monumental com uma porta de estilo egípcio construída com técnicas gregas do período helenístico.
Segundo os pesquisadores, essa descoberta aumenta o conhecimento sobre como era a aparência original do farol.
O projeto reúne atualmente cerca de cinco mil peças já descobertas em três décadas de pesquisas submarinas.
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Grande quebra-cabeça digital
As primeiras pistas sobre a existência do Farol de Alexandria começaram a ser achadas em 1994, quando pesquisadores iniciaram pesquisas no fundo do mar. Desde então, equipes passaram a registrar milhares de fragmentos espalhados pela região.
As ruínas estão em uma área entre cinco e 10 metros de profundidade, próxima ao antigo porto de Alexandria.
A nova etapa do trabalho é feita pelo projeto PHAROS, desenvolvido pelo Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito e pela Fundação Dassault Systèmes. A equipe quer estudar os fragmentos do farol e criar uma versão virtual da construção.
Os pesquisadores vão usar técnicas como a fotogrametria, que combina diversas fotografias de um objeto para criar uma representação em três dimensões.

Com a reconstrução digital, os cientistas esperam testar diferentes hipóteses sobre como era a aparência original do monumento, entender como uma torre de mais de 100 metros conseguiu ficar de pé durante tantos séculos e os motivos que levaram à sua destruição.
O modelo virtual poderá ser atualizado conforme novas descobertas forem feitas nas pesquisas arqueológicas.
Uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo
Conhecido também como Pharos, nome ligado à ilha onde foi construído, o Farol de Alexandria começou a ser erguido no início do século três antes de Cristo, durante o governo de Ptolomeu I, e foi concluído no reinado de Ptolomeu II Filadelfo.
Com aproximadamente 100 metros de altura, era uma das maiores construções do mundo antigo. Sua principal função era orientar navios que chegavam ao litoral do Egito, uma região considerada difícil para a navegação por causa das águas rasas e da dificuldade de achar a costa.
A estrutura era dividida em três partes, com uma base quadrada, uma parte central octogonal e uma torre circular no topo, onde ficava a fonte de luz.

O farol se tornou um símbolo da cidade de Alexandria e passou a fazer parte da lista das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. A estrutura ficou em funcionamento por cerca de 1.600 anos.
A construção é considerada um dos primeiros grandes faróis da história e influenciou outros monumentos construídos depois para orientar os navegadores.
Ao longo dos séculos, uma sequência de terremotos enfraqueceu a estrutura do monumento. O maior impacto aconteceu em 1303, quando um terremoto seguido por um tsunami fez grandes danos e a luz do farol deixou de funcionar.
Outro terremoto, em 1323, destruiu grande parte do que ainda continuava de pé e a construção não foi restaurada. Seus blocos passaram a ser reutilizados em outras obras.
Parte das pedras foi incorporada ao Forte de Qaitbay, construído em 1477 no mesmo lugar onde ficava o antigo farol. Outros fragmentos ficaram no fundo do Mediterrâneo por centenas de anos.
