Como startup usa IA para prever riscos climáticos e faturar R$ 3 milhões por ano


Como uma startup usa IA para prever riscos climáticos e evitar prejuízos
As mudanças climáticas tornaram eventos extremos cada vez mais frequentes e imprevisíveis.
Para ajudar empresas a se prepararem para esse cenário, dois pesquisadores transformaram anos de estudos em uma startup que utiliza inteligência artificial para prever riscos climáticos e apoiar a tomada de decisões em diversos setores da economia.
Os sócios Thomas Martin e Gabriel Perez se conheceram durante o doutorado. Enquanto Thomas, francês, estudava clima na Universidade de São Paulo (USP), Gabriel se preparava para seguir seus estudos na Inglaterra.
Em comum, os dois compartilhavam o interesse pelo uso de ferramentas de aprendizado de máquina — hoje popularizadas sob o guarda-chuva da inteligência artificial — aplicadas à meteorologia e ao clima.
A empresa começou a tomar forma a partir de pesquisas iniciadas ainda na década passada, quando o uso de IA para previsões climáticas era pouco explorado no Brasil.
Como startup usa IA para prever riscos climáticos e faturar R$ 3 milhões por ano
Reprodução/PEGN
Com apoio de programas de inovação financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a startup recebeu aportes que somam cerca de R$ 1 milhão para desenvolver soluções voltadas inicialmente ao setor elétrico.
Hoje, a companhia conta com uma equipe de 30 profissionais e atende empresas dos setores de energia, agronegócio, seguros, infraestrutura e logística.
O objetivo não é apenas informar se vai chover ou fazer calor, mas traduzir dados climáticos em informações úteis para os negócios.
No agronegócio, por exemplo, os modelos ajudam a estimar produtividade e riscos para diferentes culturas.
Já no setor de energia, as previsões auxiliam empresas a entenderem como condições climáticas podem impactar a geração elétrica.
Como startup usa IA para prever riscos climáticos e faturar R$ 3 milhões por ano
Reprodução/PEGN
Há ainda aplicações voltadas à previsão de alagamentos, deslizamentos, quebra de safra e oscilações de preços.
A tecnologia desenvolvida pelos empreendedores alcança até 90% de precisão em previsões de curto prazo e cerca de 70% em projeções de longo prazo, que analisam tendências climáticas para períodos mais extensos.
O principal sistema da empresa recebeu o nome de Raoni, em homenagem ao líder indígena Raoni Metuktire.
Alimentado diariamente por dados de satélites, estações meteorológicas e outras fontes de monitoramento, o modelo processa informações do planeta inteiro para gerar previsões que podem chegar a até 30 anos.
Entre os clientes estão concessionárias rodoviárias e empresas da construção civil. Em rodovias, os alertas ajudam a monitorar áreas de risco e antecipar ações preventivas diante de eventos climáticos extremos.
Já em grandes obras, as previsões auxiliam no planejamento de atividades ao ar livre, reduzindo atrasos e prejuízos causados por chuvas ou ventos fortes.
Com faturamento anual de aproximadamente R$ 3 milhões, a startup aposta no avanço da inteligência climática como ferramenta estratégica para empresas que precisam lidar com os impactos das mudanças do clima.
Para os fundadores, a demanda por esse tipo de solução tende a crescer à medida que eventos extremos se tornam mais frequentes e afetam um número cada vez maior de setores da economia.
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