
Psicóloga cega denuncia capacitismo após ser barrada em hospital
A psicóloga Monique Lopes Marques denunciou ter sofrido capacitismo ao tentar acompanhar a bisavó, de 78 anos, durante uma internação no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), em Campo Grande. O momento foi gravado. Veja o vídeo acima.
Segundo ela, uma funcionária da recepção questionou sua capacidade de exercer o papel de acompanhante por ser cega, o que, inicialmente, impediu sua permanência ao lado da idosa.
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De acordo com Monique, a bisavó estava internada em estado grave, com problemas cardíacos e renais, e apresentava grande sofrimento emocional. A psicóloga afirma que a idosa demonstrava medo de permanecer sozinha durante a internação. O g1 entrou em contato com o HRMS, mas não obteve teve retorno até a última atualização desta reportagem.
“Ela chorava, dizia que morreria sozinha e abandonada. Sou psicóloga e sei o quanto o isolamento pode agravar o estado clínico de um idoso.”
Segundo o relato, após conversar com a enfermeira-chefe do plantão da tarde, ela recebeu autorização verbal para acompanhar a familiar. No entanto, ao retornar ao hospital no dia seguinte para regularizar o procedimento, afirma que foi impedida de entrar.
Monique conta que, durante o atendimento na recepção, uma funcionária telefonou para a equipe de enfermagem e, durante a ligação, disse: “Ela é deficiente visual 100%, tem que ver, você que sabe, né.”
A bisavó de Monique morreu nesta semana
Arquivo pessoal
Depois do episódio, Monique procurou a Ouvidoria e o Serviço Social do hospital. Segundo ela, somente após a atuação desses setores recebeu autorização provisória para permanecer como acompanhante.
Posteriormente, afirma que voltou a conversar com a enfermeira-chefe, explicou que a função do acompanhante é oferecer apoio emocional e auxiliar nos cuidados permitidos, sem substituir a equipe de enfermagem, e então obteve autorização definitiva.
A psicóloga relata que sua presença trouxe mudanças no estado emocional da bisavó.
“Conversamos, rimos, ouvi suas histórias e acompanhei as informações médicas. Ela voltou a se alimentar, recuperou o ânimo e me apresentava às pessoas dizendo: ‘Essa é minha bisneta, ela veio ficar comigo’.”
Mesmo com liberação, entraves continuaram
Mesmo após a autorização definitiva, Monique afirma que continuou enfrentando dificuldades. Segundo ela, a mesma recepcionista conferia a autorização sempre que chegava ao hospital e chegou a impedir que seu marido a acompanhasse até o quarto.
“Minha deficiência visual não me impede de amar, cuidar, trabalhar, constituir família ou oferecer apoio emocional a quem precisa. Sou psicóloga, mãe, esposa e plenamente capaz de exercer o papel de acompanhante.”
Dias depois dos episódios, a bisavó de Monique morreu. Segundo a advogada da psicóloga, Paula Zanata, o constrangimento tornou ainda mais dolorosos os últimos momentos de convivência entre as duas.
Advogada aponta possível violação de direitos
A defesa informou que vai buscar a responsabilização dos envolvidos e da instituição. Entre as medidas previstas estão o pedido de indenização por danos morais, a apuração da conduta dos servidores, a eventual responsabilização do hospital e a implantação de um programa permanente de capacitação para o atendimento inclusivo de pessoas com deficiência.
Segundo os advogados, também serão adotadas medidas contra comentários preconceituosos publicados nas redes sociais após a repercussão do caso.
Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
