
Exposição em Itu reúne obras inspiradas em Almeida Júnior e fica aberta até setembro
O pintor José Ferraz de Almeida Júnior, um dos maiores expoentes da história da arte brasileira, inspira a nova exposição gratuita “Recortes de Almeida”, em Itu (SP).
A mostra reúne cerca de 40 trabalhos produzidos por alunos da Escola de Artes municipal (Módulo EMIA) e fica aberta ao público até o dia 30 de setembro. O desafio proposto aos estudantes foi recriar clássicos coloridos do pintor em desenhos monocromáticos de papel, lápis e carvão.
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Telas de Almeida Júnior ganham releituras a lápis e carvão em exposição gratuita de alunos em Itu
TV TEM/Reprodução
O professor e artista plástico Luciano Luz explica que a escolha de Almeida Júnior, que nasceu em Itu, vai muito além da identidade regional. “Ele retratou as pessoas do interior, principalmente o homem do campo, mas mantendo uma formação acadêmica rígida que, até hoje, serve de base técnica fundamental para quem quer aprender a desenhar”, pontua.
A exposição destaca-se pela transformação visual aplicada a quadros consagrados da cultura nacional. Entre as principais releituras expostas estão:
“O Violeiro”: clássica cena caipira reconstruída pelos alunos com foco em técnicas de luz, sombra e texturas;
“Caipira Picando Fumo”: obra que retrata o cotidiano do homem do campo e ganhou novas versões em grafite.
A influência de Almeida Júnior segue viva também no cenário urbano da cidade. Recentemente, o muralista Eduardo Kobra pintou uma releitura moderna de “Caipira Picando Fumo” na fachada do primeiro prédio de Itu, estilizando o personagem folclórico saindo de dentro de uma lata de spray.
Arte que une gerações
O projeto pedagógico conseguiu unir diferentes gerações em torno das telas. Rosana de Napoli, de 65 anos, venceu a timidez para voltar a desenhar após décadas longe dos estudos.
“Fiquei com vergonha porque já tinha 60 anos, mas criei coragem. Só tinha criança, mas eu decidi fazer e agora estou há cinco anos nas aulas. Foi uma sensação maravilhosa, porque eu consegui”, destaca a aluna.
Na outra ponta da sala de aula, o estudante Vinícius Inoki enfrentou o rigor técnico para retratar seu quadro favorito. “Escolhi ‘O Violeiro’ porque adoro fazer degradês e mãos de pessoas. O mais difícil de desenhar é a mão por causa dos detalhes, exige muito treino. Quando vi o resultado pronto no painel, fiquei muito feliz”, relata o jovem.
Telas de Almeida Júnior ganham releituras a lápis e carvão em exposição gratuita de alunos em Itu
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