‘Queríamos criar uma pintura habitável’: obra em realidade virtual estreia em Belém

É comum associar a realidade virtual ao futuro, aos games e às inovações tecnológicas. Para o duo VJ Suave, no entanto, os óculos de VR podem servir para aproximar as pessoas de algo muito mais antigo: a relação com a natureza.
Em cartaz pela primeira vez em Belém com a exposição Floresta Encantada, os artistas Ygor Marotta e Ceci Soloaga apostam na tecnologia como ferramenta para despertar sensações e provocar reflexões sobre a preservação da floresta.
“A tecnologia não aparece como algo distante da natureza, mas como um meio de encantamento”, afirma Marotta. “Queríamos usar uma ferramenta do presente para despertar uma conexão ancestral.”
A proposta da instalação rompe com a lógica mais comum das experiências em realidade virtual. Em vez de desafios, fases ou disputas, o visitante percorre livremente uma floresta imaginária, encontrando rios, árvores, animais e personagens inspirados na fauna brasileira e em saberes indígenas.
“Não há uma missão. É uma experiência sensorial, poética e contemplativa”, explica o artista.
Segundo ele, a ideia surgiu quando o grupo começou a desenhar diretamente em ambientes tridimensionais da realidade virtual.
“Percebemos que essa tecnologia tinha uma potência muito especial: ela não apenas mostra uma imagem, mas transporta o público para dentro de um mundo.”
Da cidade para a floresta
Conhecido internacionalmente por projeções urbanas em fachadas, ruas e praças, o duo VJ Suave considera Floresta Encantada um novo momento de sua trajetória. Na instalação, o público deixa de ser apenas espectador e passa a fazer parte da obra. “Foi uma evolução natural da nossa pesquisa. O público deixou de observar a obra de fora e passou a habitar o universo que criamos”, afirma Ygor Marotta.
Depois de circular por diferentes capitais brasileiras, a instalação chega pela primeira vez à Amazônia. Para Marotta, apresentar a obra em Belém representa um encontro entre a floresta virtual criada pelos artistas e um território onde a relação com a natureza e os saberes originários faz parte da vida cotidiana.
“É diferente apresentar esse trabalho em uma cidade onde a relação com a natureza e com os saberes originários não é algo distante ou abstrato, mas algo vivo. A Floresta Encantada chega a um território que já carrega muitas das energias e questões que inspiraram o projeto”, afirma.
Segundo o artista, a arte pode despertar uma relação mais próxima com a preservação ambiental ao criar conexões afetivas com a floresta. “A gente cuida melhor daquilo que aprende a admirar, respeitar e sentir como parte da própria vida”, conclui.
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