
Juíza diz que ‘não há justificativa’ para menino deixado trancado em apartamento
A defesa da mãe do menino de 10 anos encontrado trancado dentro de um apartamento em Goiânia alegou durante uma audiência de custódia que ele tinha compulsão alimentar e, por isso, a mãe restringiu o acesso do filho à cozinha. No vídeo da audiência obtido com exclusividade pela TV Anhanguera, a juíza discorda da atitude e afirma que “não há justificativa”, já que o menino não tinha nem água para beber (veja acima).
Os nomes dos pais não serão divulgados pela reportagem para preservar a identidade da criança, seguindo os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
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O resgate aconteceu em um prédio no Setor Faiçalville na quinta-feira (9). Na audiência, o advogado da mulher, Danilo Rodrigues, alega que a mãe trancou a porta do quarto ao ir trabalhar porque o menino, que tem diabetes, não tem limites para comer e poderia piorar seu quadro clínico por isso.
“Se deixasse a porta aberta, pela impulsividade que ele tem alimentar, que também está diagnosticada, ele não tem limites para parar de comer. Talvez agravaria ainda mais a situação dele”, afirmou o advogado.
O g1 tentou entrar em contato com a defesa da suspeita para pedir uma nota sobre o ocorrido, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
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A juíza responsável pela audiência não aceitou a justificativa e optou por manter a prisão da mulher. Ela destacou que, se a intenção da mãe fosse impedir que o menino tivesse problemas com a compulsão alimentar, teria deixado ao menos água para ele beber.
“Caso ela não quisesse administrar alimentos ao mesmo, ela deveria, no mínimo, ter deixado água para a criança beber. Porque água não faz nenhum tipo de mal para diabetes. Então, há apresentada não tem argumentos. Não há argumentos, não há justificativa”, afirmou a magistrada.
A mãe responde por abandono de incapaz. A investigação da Polícia Civil também apura o crime de maus-tratos.
Internação e alta
Menino resgatado em apartamento segue internado na UTI
Após ser resgatado, o menino precisou ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad). Ao g1, o conselheiro tutelar José Roberto Silva informou que a criança, que é diabética, estava debilitada e com a glicemia acima de 500.
Após quatro dias internado, ele recebeu alta na tarde desta segunda-feira (13). Segundo José, a glicemia dele foi estabilizada durante a internação.
“Ele ficou em observação na UTI desde quando entrou no hospital por causa da taxa da glicose dele, que estava muito alta. A saúde dele está muito boa, já está até mais coradinho”, afirmou.
Do hospital, o menino foi levado pelo Conselho Tutelar para a casa da avó materna, que ficará responsável pelos cuidados da criança enquanto o caso é analisado pela Justiça.
Entenda o caso
Menino é achado trancado sem água ou comida em quarto de apartamento em Goiânia
O menino foi resgatado do apartamento em que estava trancado em um quarto, sem água ou comida suficiente, usando uma garrafa pet para fazer suas necessidades. Um vídeo mostra o momento do resgate, em que o menino conversa com conselheiros tutelares pela janela e conta sua situação (veja acima).
Na gravação, o menino conta que a mãe sai para trabalhar durante a noite e deixa ele trancado todos os dias. José também perguntou se a criança já havia almoçado naquele dia e o menino responde que havia comido “umas bolachinhas”.
A criança também pediu água para os conselheiros e usou uma sacola plástica amarrada a lençóis para pegar a garrafa pela janela.
Segundo a Polícia Militar, a mãe do menino disse que saiu durante a noite para trabalhar, deixando a criança trancada no quarto para impedir que tivesse acesso aos alimentos, alegando que o menino era diabético e, se comesse em excesso, poderia passar mal.
Apartamento foi encontrado com lixo e roupas jogadas por toda parte
Reprodução/Instagram de José Roberto Conselheiro
A vendedora Loiana Kelly Brito contou que chegou a presenciar a mãe batendo no menino e avisou que chamaria o Conselho Tutelar. Ela também destacou que ouviu o menino gritando por socorro pela janela do apartamento várias vezes.
Carlos Eduardo Freitas, síndico do prédio, afirmou que a cena do menino trancado e interagindo com as outras crianças pela janela enquanto assistia a elas brincarem o comoveu.
“À tarde, as crianças saem pra brincar e ele fica interagindo com elas. É triste, machuca a gente”, lamentou.
O delegado Eduardo Carrara contou que a criança estava privada de alimentos e de local adequado para fazer necessidades fisiológicas. “Sem falar que tinham canetas de insulina, o que é muito perigoso para criança administrar sozinha”, disse o delegado.
Após ser resgatado, o menino afirmou: “Eu espero ter uma vida melhor”.
Mãe de menino resgatado trancado em quarto de apartamento passou por audiência de custódia, em Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
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