
Antes que as mensagens fossem apagadas do celular, o filho adolescente de uma mulher de 41 anos gravou parte das conversas em que ela, segundo a Polícia Civil do Paraná (PCPR), buscava alguém para assassinar uma servidora pública. O vídeo foi levado à rede de assistência de Abatiá (PR) e deu início à investigação.
O adolescente ainda teria sido ameaçado de morte pela própria mãe para que permanecesse em silêncio. Mesmo assim, procurou ajuda e apresentou a gravação. O material permitiu que a polícia recuperasse parte do diálogo e avançasse na identificação das pessoas envolvidas.
A mulher foi presa preventivamente na sexta-feira (10). Ela é investigada por tentativa de homicídio duplamente qualificado e teria oferecido R$ 3 mil para que um terceiro matasse a servidora.
Segundo a polícia, a suspeita responsabilizava a vítima pelo acolhimento judicial dos três filhos em uma instituição e passou a acompanhar a rotina dela. O crime não chegou a ser executado.
Vídeo preservou conversas encontradas pelo adolescente
As mensagens atribuídas à investigada mostram que o pedido começou de forma indireta. Ela perguntou a um homem se ele poderia fazer “um trabalho” ou indicar outra pessoa.
Questionada sobre o que pretendia, respondeu: “Apagar uma infeliz do mapa”.

Horas depois, a conversa ficou mais direta. “Quero que mate ela a tiro”, escreveu a mulher, segundo os registros. Em seguida, informou onde o carro da servidora costumava ficar: “O carro dela fica debaixo do pátio da igreja”.
A suspeita também indicou que pretendia discutir o pagamento após receber dinheiro.
“Vamos deixar para o dia sete, é o dia em que eu recebo”, afirmou.
O homem que aparece na conversa disse que faria apenas a intermediação. Durante a investigação, ele foi identificado, prestou depoimento e confirmou ter sido procurado. De acordo com a PCPR, colaborou com a apuração e apresentou informações que ajudaram a reconstituir o caso.
Perícia encontrou fotos de outros servidores
A gravação feita pelo adolescente não foi a única prova reunida. A perícia nos celulares encontrou fotografias da servidora ameaçada e de outros funcionários públicos.
Para os investigadores, o material indica que a mulher acompanhava a rotina da vítima e avaliava uma possível emboscada.
“Ele foi ameaçado de morte para que não revelasse os fatos e procurou a rede de assistência do município com um vídeo gravado que registrava parte das mensagens antes que fossem apagadas”, afirmou o delegado Luis Guilherme Almeida.
A prisão preventiva foi decretada pela Vara Criminal de Ribeirão do Pinhal após pedido da Polícia Civil. A decisão considerou a gravidade das suspeitas e a ameaça feita contra o adolescente.
Os nomes do filho e da servidora são preservados. Os dois estão bem. A mulher permanece presa na cadeia pública feminina de Santo Antônio da Platina (PR).
