
Ruínas de igreja de 1734 são reabertas em Cachoeiras de Macacu
Victor Pablus
As ruínas da Igreja São José da Boa Morte, em Cachoeiras de Macacu, na Região Serrana do Rio, entram em uma nova fase de sua história com a conclusão das obras de consolidação e requalificação do monumento. A entrega do espaço à população é marcada pela programação do Festival das Ruínas, que já está em andamento.
O projeto de restauração durou mais de um ano e recebeu investimento de R$ 18 milhões. Tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), a igreja foi construída em 1734 e é considerada um dos principais patrimônios históricos do interior do estado do Rio de Janeiro.
Além da recuperação da estrutura, o local passa a abrigar um Centro de Referência voltado à educação patrimonial, à pesquisa e à preservação da memória da região. A iniciativa foi desenvolvida pela Elysium Sociedade Cultural, em parceria com a Prefeitura de Cachoeiras de Macacu e a Nova Transportadora do Sudeste (NTS), por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
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Festival reúne exposições, oficinas e seminário
A programação do Festival das Ruínas começou com uma masterclass para crianças e jovens no Rio de Janeiro. Também foi realizada uma oficina de maquetes e xilogravuras no distrito de Subaio, em Cachoeiras de Macacu, com a participação de 20 moradores. A atividade buscou estimular a formação artística e a valorização do patrimônio histórico e cultural da cidade.
Na sexta-feira (17), o público poderá visitar as ruínas e conferir a exposição permanente com objetos remanescentes da antiga igreja, além de uma mostra fotográfica composta por imagens selecionadas em processo conduzido pela Elysium, com curadoria de especialistas nas áreas de patrimônio, jornalismo e história.
Ainda na sexta, o espaço receberá o seminário acadêmico “São José da Boa Morte e a Salvaguarda do Patrimônio”, promovido pela Elysium em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Proarq/FAU-UFRJ).
O encontro é aberto ao público e reunirá pesquisadores, arquitetos e gestores para discutir os desafios da preservação de ruínas históricas, a gestão do patrimônio cultural e estratégias de valorização da memória em cidades do interior. As inscrições devem ser feitas por meio do formulário.
Espaço restaurado passa a contar com Centro de Referência voltado à preservação da memória.
Igor Holderbaum
Especialistas destacam pesquisa e preservação
Arquiteta e professora da FAU-UFRJ/Proarq, Niuxa Drago afirma que a preservação do patrimônio exige diálogo entre universidades, instituições e comunidades.
“A atualização de um objeto patrimonial é sempre um diálogo entre instituições e comunidades, teoria e prática”, afirma.
Historiadora da Elysium e doutoranda do Proarq/UFRJ, Rachel Wider destaca que o seminário busca aproximar a produção acadêmica das intervenções realizadas no patrimônio histórico.
“É uma honra poder coordenar essa ação, apresentando para as pessoas um projeto que foi feito com tanta excelência pela Elysium”, diz.
Entre os participantes estão o diretor técnico da Elysium, Wolney Unes; a museóloga Célia Corsino; o secretário municipal de Cultura de Nova Iguaçu, Marcus Monteiro; o chefe do Escritório Técnico do Iphan Médio Vale do Paraíba, Ivan Mascarenhas; além dos pesquisadores Niuxa Drago, Daniella Martins Costa e Thiago Fonseca.
Livro será lançado durante o evento
Durante o seminário será lançado o livro “Ruínas de São José da Boa Morte”, que reúne pesquisas desenvolvidas ao longo do processo de consolidação da antiga igreja, além de apresentar aspectos técnicos da obra, das intervenções realizadas e das ações sociais promovidas durante o projeto.
Para Wolney Unes, o festival representa um marco para a preservação do patrimônio histórico fluminense.
“As ruínas de São José da Boa Morte representam não só a história de Cachoeiras de Macacu, mas também a importância de preservar referências culturais que ajudam a compreender a formação do território fluminense. Promover esse encontro no próprio local da intervenção fortalece o diálogo entre pesquisa, gestão e sociedade”, afirma.
Programação do seminário – Sexta-feira (17):
14h30 – Abertura
Wolney Unes – A Elysium e o projeto
Célia Corsino – Desafios na gestão de coleções singulares
Mesa 1 – Intervenção em ruínas: desafios e usos
Marcus Monteiro (Historiador / Membro do IHGB, IHGRJ e IHGNI / Secretário de Cultura de Nova Iguaçu)
Rachel Wider (historiadora na Elysium Sociedade Cultural / Doutoranda da Fau- UFRJ/ Proarq)
Thiago Fonseca (arquiteto e urbanista / Mestrando na Fau – UFRJ / Prourb)
Mediação: Carolina Gonzales (Arquiteta e mestre em arquitetura pela PUC – Rio. Integrante do projeto de consolidação das ruínas de São José da Boa Morte)
16h10 às 16h30 – Intervalo
Mesa 2 – Projetos de salvaguarda no interior do estado do Rio de Janeiro
Ivan Mascarenhas (Engenheiro Civil e Gestor Público / Chefe do Escritório Técnico do Iphan Médio Vale do Paraíba)
Daniella Martins Costa (arquiteta e professora na Fau-UFRJ/ Proarq)
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