Casa de praia, carros importados e vinhos caros: dinheiro de mineração ilegal pagava luxos de investigados


Ex-mulher revela como chefe de corrupção na mineração escondia dinheiro do crime
Casa na praia, carros importados e vinhos com garrafas que custam até R$ 25 mil eram parte do patrimônio financiado pela mineração ilegal em Minas Gerais, segundo a Polícia Federal.
Na semana passada, 15 pessoas foram presas na Operação Rejeitos, que revelou um esquema bilionário de extração irregular de minério de ferro, corrupção e crimes ambientais.
O grupo, comandado por Alan Cavalcante do Nascimento, pelo ex-deputado estadual João Alberto Paixão Lages e pelo especialista em mineração Hélder Adriano de Freitas, operava em áreas como a Serra do Curral e Ouro Preto.
A investigação aponta que os chefes se valiam de contratos fraudulentos, licenças obtidas de forma irregular e da proximidade com políticos e servidores públicos para garantir a continuidade dos negócios.
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Enquanto os investigados acumulavam fortunas e bens de luxo, comunidades como a de Botafogo, em Ouro Preto, sofriam com os efeitos da degradação ambiental. Moradores relatam redução drástica na oferta de água e o soterramento de grutas históricas.
“Sempre teve água. De uns anos para cá, por causa dessa mineração, a água diminuiu muito, muito mesmo”, contou um morador.
De acordo com a Polícia Federal, a empresa Fleurs Global, ligada ao grupo, movimentou mais de R$ 4 bilhões em cinco anos. As estimativas indicam que o esquema poderia chegar a R$ 18 bilhões em exploração ilegal.
Patrimônio de envolvidos com mineração ilegal em Minas Gerais incluía casas de praia, carros importados e vinhos caros.
Reprodução/TV Globo/Fantástico
Documentos apreendidos mostram ainda a tentativa de compra de influência junto a autoridades, incluindo a aproximação com membros do Judiciário e da Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais.
Parte das informações que levaram à prisão dos suspeitos foi fornecida pela ex-mulher de Alan Cavalcante, que detalhou esconderijos de dinheiro — entre eles, malas com US$ 10 milhões — e as estratégias usadas para se aproximar de autoridades. Ela classificou o ex-marido como “psicopata” em depoimento.
Após a operação, a exploração da Serra de Botafogo foi interrompida. Especialistas alertam que a recuperação ambiental da área será um desafio.
“Aqui a gente tem uma região que está impactada e que precisa de um olhar cuidadoso, com licenciamento responsável e fiscalização efetiva”, disse Cristiane Castro Gonçalves, professora de Engenharia Geológica da UFOP.
Vídeos e documentos exclusivos revelam detalhes de esquema de mineração bilionário em Minas Gerais
Reprodução/TV Globo
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