Ucrânia confirma ataque a 20 navios russos no Mar Negro após ofensiva da Rússia em Odessa


Embarcação civil em chamas, segundo o porta-voz da Marinha da Ucrânia.
Nina Liashonok / Reuters
A guerra entre Rússia e Ucrânia ganhou novos contornos no Mar Negro nesta quarta-feira (15), com ataques dos dois lados envolvendo portos, embarcações e infraestrutura considerada estratégica para o comércio e a logística militar.
Um ataque russo à cidade portuária de Odessa, no sul da Ucrânia, matou três pessoas e deixou outras três feridas, segundo autoridades ucranianas. A cidade é um dos principais centros de exportação do país e tem sido alvo frequente de bombardeios russos nos últimos meses.
De acordo com Serhiy Lysak, chefe da administração militar local, o ataque também provocou danos a edifícios residenciais. As autoridades não divulgaram detalhes sobre o tipo de armamento utilizado.
O bombardeio ocorre em meio à intensificação dos ataques russos contra a infraestrutura portuária da região da Grande Odessa, considerada vital para o escoamento das exportações ucranianas durante a guerra. Na véspera, outro ataque com drones à infraestrutura portuária da região matou duas pessoas e danificou uma embarcação civil com bandeira das Ilhas Marshall, segundo o governador regional Oleh Kiper.
Agora no g1
Ucrânia diz ter atingido 20 navios russos
Horas após o ataque a Odessa, a Ucrânia anunciou uma nova ofensiva contra embarcações russas no Mar Negro.
Segundo Robert Brovdi, comandante das forças de drones de Kiev, drones ucranianos atingiram 20 embarcações russas durante a noite, incluindo 17 petroleiros. Entre os alvos estariam ainda dois navios-tanque de gás e um rebocador.
A declaração amplia uma campanha que a Ucrânia vem conduzindo contra a logística marítima russa. Na terça-feira (14), Brovdi afirmou que drones haviam atingido 11 embarcações russas no Mar de Azov, incluindo cinco petroleiros, cinco cargueiros e um rebocador. Segundo ele, o número de navios atingidos naquela região chegou a 116 em apenas nove dias.
Rússia acusa Ucrânia de “terrorismo”
A escalada dos ataques levou Moscou a acusar Kiev de tentar interromper uma das principais rotas de exportação agrícola do país.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, classificou as ações ucranianas no Mar de Azov como “terrorismo, puro e simples”. Segundo ele, os ataques não têm objetivo militar legítimo e buscam apenas causar danos e intimidar.
Já uma fonte militar ucraniana afirmou à Reuters que as Forças Armadas do país atacam apenas alvos militares ou estruturas que contribuam para o esforço de guerra russo. Segundo a fonte, embarcações transportando cargas civis não fazem parte da lista de alvos.
Impacto sobre exportações de grãos
Os confrontos chegam em um momento sensível para o comércio agrícola da Rússia.
O Mar de Azov é uma rota estratégica para o escoamento de grãos russos e responde por cerca de um quarto das exportações do setor. Fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que a navegação na região permanece restrita desde 10 de julho e que embarcações comerciais enfrentam dificuldades para entrar ou sair do mar por meio do Estreito de Kerch e do canal Azov-Don.
O Ministério da Agricultura da Rússia reconheceu que, se necessário, as exportações poderão ser redirecionadas para portos do Mar Negro ou do Mar Báltico. O governo afirma que o país continuará cumprindo seus compromissos de exportação apesar dos problemas logísticos.
Enquanto isso, autoridades ucranianas alertam que os ataques russos aos portos da região de Odessa podem reduzir em até um terço a capacidade mensal de exportação de grãos da Ucrânia, aprofundando os impactos econômicos da guerra para ambos os países.
*Com informações da Reuters.
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