
Após aberta investigação sobre propaganda eleitoral antes do tempo legal, o senador Flávio Bolsonaro (PL), removeu vídeo publicado em seu perfil do Instagram no qual lia a polêmica “Carta aos Brasileiros” escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai. No entanto, o sumiço da postagem foi documentado oficialmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (14), no início da noite.
A remoção do conteúdo acontece paralelamente ao avanço das providências impostas pelo ministro Alexandre de Moraes em cima dos Bolsonaros, nesta segunda (13). O comunicado sobre o fato foi anexado no processo criminal do ex-presidente, no STF, pela Gerência de Processos Originários Criminais que ao anexar a mídia de forma definitiva na noite de ontem aos autos, acabou frutrada.
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“Esta página não está disponível”
De acordo com a certidão oficial do Supremo, “não foi possível realizar a juntada do conteúdo disponível no link” do Reels do perfil de Flávio, com a plataforma exibindo a mensagem padrão de erro. O STF registrou formalmente em certidão que o endereço eletrônico apresentava o seguinte aviso:
“Post não está disponível – O link pode estar corrompido ou o perfil pode ter sido removido”. Diante a constatação do vídeo deletado, o órgão concluiu que “ficou inviabilizada a obtenção e a juntada do respectivo arquivos aos autos”.

“Pulou fora”
A conduta do senador em apagar a publicação aconteceu quase que simultaneamente a intimição do ministro Alexandre de Moraes para defesa de Jair Bolsonaro se explicar sobre o caso.
Nesta terça, o STF determinou que os advogados do ex-presidente se manifestem no prazo máximo de 48 horas sobre se o “apenado” tinha planejado ou autorizou o manifesto de cunho eleitoreiro ser divulgado publicamente pelo filho mais velho.
A manobra indiscreta do senador em deletar o vídeo postado neste último sábado (11), repete comportamento apontado por Moraes em sua última decisão (13). Nela o magistrado estabelece sanção ao senador de não poder visitar o pai no período de 90 dias – coincide com período eleitoral – e destaca que Flávio já agiu de forma semelhante em 2025.
O magistrado relata que em em agosto de 2025, Flávio Bolsonaro também apagou de suas redes sociais a transmissão de uma manifestação em Copacabana (RJ), em que comprova a participação ilegal do seu pai no ato, logo após a irregularidade repercutir fortemente na imprensa.

Segundo informações de interlocutores do Judiciário, a retirada do vídeo da plataforma não anula os efeitos jurídicos já instaurados. Como Alexandre de Moraes já tinha transcrito de forma integral o conteúdo da carta e o vídeo em sua decisão que definiu as punições ao parlamentar, a exclusão do conteúdo apenas impede acesso por novos usuários ao link na conta oficial de Flávio Bolsonaro.
A investigação sobre a suposta propaganda antecipada do senador que é pré-candidato a presidente da República segue tramitando na Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), que recebeu anteriormente as cópias das mídias originais enviadas pelo Supremo Tribunal.
