
Faltando uma semana para o leilão da BR-116/SP/PR, conhecida como Rodovia Régis Bittencourt, pelo menos cinco empresas demonstraram interesse no ativo, considerado um dos mais estratégicos do atual programa de concessões do governo federal. O Ministério dos Transportes, no entanto, não detalhou os nomes, apesar de despontarem alguns indícios de interessados.
O certame está marcado para o dia 23 de julho, na B3, e prevê cerca de R$ 7 bilhões em investimentos ao longo do contrato. A nova concessão inclui obras de ampliação da capacidade da rodovia, melhorias operacionais e intervenções na Serra do Cafezal, trecho que concentra parte dos gargalos logísticos da estrada. Além disso, o texto prevê desconto no pedágio (Veja abaixo).
Embora o governo não revele oficialmente quem são os interessados, executivos do setor e analistas apontam que a atual concessionária Arteris deve participar da disputa. A Motiva, concessionária que administra a Dutra, também aparece entre as empresas mais cotadas para apresentar proposta, depois de voltar ao protagonismo nas concessões federais com a vitória no leilão da Fernão Dias.

A expectativa do governo é de uma concorrência semelhante à observada nos últimos leilões. O ministro dos Transportes, George Santoro, também confirmou que cinco grupos estudam o projeto. O número, no entanto, não significa que todos chegarão ao dia do leilão com propostas na mesa, algo comum em grandes concessões de infraestrutura.
Mercado espera disputa
Se a concorrência parece praticamente garantida, o mesmo não vale para os descontos oferecidos pelos participantes.

Na avaliação do BTG Pactual, a tendência é que as empresas adotem uma postura mais cautelosa. O banco avalia que o elevado volume de investimentos exigido pelo contrato e o custo de capital ainda pressionado reduzem o espaço para propostas muito agressivas.
Na prática, a expectativa é de uma disputa equilibrada, sem repetir os deságios expressivos vistos em alguns leilões do passado.
O próprio modelo adotado pelo governo favorece esse comportamento. Depois de determinado limite de desconto sobre a tarifa de pedágio, os concorrentes passam a disputar o ativo por meio de aportes financeiros adicionais, mecanismo criado para evitar propostas consideradas excessivamente otimistas.
Motiva desponta como um dos nomes mais fortes
Entre os grupos monitorados pelo mercado, a Motiva aparece como uma das empresas mais bem posicionadas para disputar a concessão.
Segundo o Guia do Investidor, relatórios de bancos e casas de análise indicam que a companhia enxerga na Régis Bittencourt uma oportunidade de ampliar seu portfólio em uma região onde já possui forte presença operacional. Além disso, estimativas de mercado apontam que o projeto pode oferecer uma taxa interna de retorno próxima de 20%, dependendo da estratégia adotada no leilão.
A combinação entre localização estratégica, elevado fluxo de veículos e possibilidade de ganhos de eficiência ajuda a explicar o interesse pelo ativo.
Rodovia é uma das mais importantes do país
Ligando São Paulo ao Paraná, a Régis Bittencourt é um dos principais corredores logísticos do Brasil e concentra um intenso fluxo de caminhões responsáveis pelo transporte de mercadorias entre o Sudeste e a Região Sul.
O futuro concessionário ficará responsável pela administração de cerca de 383 quilômetros da rodovia, assumindo compromissos de modernização, ampliação da capacidade, reforço da segurança viária e manutenção da estrada durante toda a vigência do contrato.
Pedágios

A tarifa básica de pedágio na Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), trecho administrado pela Arteris, é de R$ 4,30 para carros de passeio. Motocicletas pagam R$ 2,15 e veículos comerciais pagam R$ 4,30 por eixo.
O valor é válido para as 6 praças de cobrança.
A rodovia que liga São Paulo a Curitiba possui 5 praças no estado de São Paulo e 1 no Paraná:
- São Lourenço da Serra (SP): km 299
- Miracatu (SP): km 370
- Juquiá (SP): km 426
- Cajati (SP): km 485
- Barra do Turvo (SP): km 542
- Campina Grande do Sul (PR): km 57
O processo de venda da concessionária será decidido com base no maior desconto oferecido sobre a tarifa básica de pedágio, fixada em R$ 0,05912 por quilômetro em pista dupla. Além do desconto, os participantes deverão pagar R$ 120 milhões pela aquisição da concessionária.
Caso as propostas sejam muito próximas, haverá uma etapa de lances em viva-voz. O edital também prevê aportes financeiros obrigatórios que aumentam conforme o percentual de desconto oferecido sobre a tarifa de pedágio, podendo ultrapassar R$ 140 milhões por ponto percentual adicional nas faixas mais elevadas de deságio.
