A Alerj encontra a solução pra violência contra a mulher: design

Homem pintando tornozeleiras de rosaCrédito: I.A.

A Comissão de Constituição e Justiça da Alerj aprovou um projeto de lei que cria uma tornozeleira eletrônica rosa para agressores de mulheres.

Solução perfeita pras quase 300 mil agressões físicas contra mulheres.

Não parece que é uma decisão da Alerj, parece uma reunião de agência de publicidade.

Mas calma, tem justificativa!

É inibir a reincidência, reforçar a proteção às vítimas e facilitar a identificação pela polícia.

Espera aí, pessoal, o que tá acontecendo?

A polícia não tá conseguindo reconhecer uma tornozeleira eletrônica?

Ou o policial para um suspeito e pergunta:

“Isso aí é uma tornozeleira rosa ou você está usando um relógio da Hello Kitty no tornozelo?”

Eu acho que um GPS nunca perguntou qual o pantone de nada antes de mandar a localização.

Agora até medida cautelar precisa de identidade visual.

Tudo é instagramável.

A solução precisa ser eficiente?

Não, só combinar com as algemas vendidas num sexy shop.

Interessante que o próprio projeto prevê que depois o governo vai avaliar se a medida funciona.

Ou seja…

Primeiro aprova, depois descobre se serve.

É aquele conhecido método científico do “vai que…”.

É de uma confiança que faria muito coach passar vergonha.

(Respira. Ainda tem mais.)

Aí vem a parte de que a cor vai inibir a reincidência.

Óbvio!

O cara ignorou a Lei Maria da Penha.

Ignorou medida protetiva.

Ignorou ordem judicial.

Mas vai olhar para uma tornozeleira rosa e pensar:

“Ah, não vou bater em mulher senão vou ter que usar um laço rosa no calcanhar.”

Dizem que é pra reforçar a proteção às vítimas.

Só que qualquer tornozeleira já deveria acender o alerta. Não importa a cor.

Mas não. A mulher vê um cara com tornozeleira preta e pensa:

“Ah, é só um criminoso.”

Vê outro com a rosa e pensa:

“Deixa eu sair de perto.”

Percebe como às vezes a política pública parece escrita por alguém que nunca conheceu um criminoso?

É como tentar reduzir corrupção pintando dinheiro de verde-limão.

Ou acabar com rachadura no asfalto trocando o nome da avenida.

Existe um vício no Brasil de tratar símbolo como solução.

Muda uniforme, slogan, campanha, a cor.

E fica rezando pra realidade colaborar.

É claro que toda medida deve ser tomada pra reduzir a violência contra as mulheres.

Mas, se a principal inovação do projeto é a tinta da tornozeleira…

Agressão contra mulheres se resolve numa funilaria.

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