
Obras se arrastam desde 2022 e não há previsão para reinauguração do espaço
Quatro anos após o início das obras e com mais de R$ 18 milhões já investidos, a revitalização da antiga rodoviária de Campo Grande segue sem conclusão. O atraso preocupa comerciantes da região, desestimula novos investimentos e mantém a sensação de insegurança para moradores e frequentadores do entorno.
De acordo com o Portal Mais Obras, da Prefeitura de Campo Grande, 59% dos serviços foram executados até o momento. O contrato original previa a conclusão da reforma em um ano, com investimento de R$ 16,5 milhões. No entanto, iniciada em junho de 2022, a obra teve o prazo prorrogado e o custo ultrapassou o valor inicialmente previsto.
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➡️📺Esta reportagem faz parte de um série especial do MS1 sobre a situação de abandono da região da antiga rodoviária de Campo Grande.
Todos os dias, o comerciante Seriberto Henrique acompanha a movimentação do canteiro de obras. Para ele, a demora transformou a expectativa em frustração.
“Quatro anos de espera. A gente está frustrado. As expectativas foram todas frustradas em razão de todo esse tempo”, afirma.
A empresária Heloisa Cury diz que o atraso também dificulta a atração de novos investidores para o centro comercial.
“Estamos trazendo empresários para cá e eles falam: ‘Eu não confio no poder público’. Se já atrasou quatro anos, quem garante que vai entregar a obra? Enquanto tiver tapume, ninguém chega.”
A antiga Estação Rodoviária Heitor Eduardo Laburu ocupa uma área de aproximadamente 30 mil metros quadrados, dos quais pouco mais de 5 mil pertencem ao município. O restante integra o condomínio comercial de propriedade privada.
Inaugurado na década de 1970, o terminal impulsionou o desenvolvimento econômico da região central. Após a transferência da rodoviária para um novo endereço, em 2010, o prédio perdeu a função original e passou por um longo período de abandono.
A revitalização contempla a área pública do complexo, incluindo o prédio principal, o antigo terminal do transporte coletivo e as calçadas do entorno, entre as ruas Joaquim Nabuco, Dom Aquino, Vasconcelos Fernandes e Barão do Rio Branco.
O projeto prevê:
substituição dos pisos;
reforma das redes elétrica e hidráulica;
recuperação das estruturas das lajes;
instalação de novas escadas;
construção de um estacionamento no local onde funcionava o terminal urbano;
implantação de calçadas acessíveis e paisagismo.
Após a conclusão, o prédio deverá abrigar a Fundação Social do Trabalho (Funsat) e uma base da Guarda Civil Metropolitana.
Comerciantes apostam na revitalização
Mesmo diante dos atrasos, alguns empresários continuam investindo.
O comerciante Pedro da Cruz já reformou quatro das 11 salas comerciais que possui no condomínio e espera reabrir os espaços assim que a obra pública terminar.
“Estamos apostando na revitalização. Quando a prefeitura entregar a obra, estaremos praticamente com todas as lojas prontas para abrir e receber os clientes.”
No condomínio comercial, com mais de 200 salas, parte dos proprietários iniciou reformas na expectativa de que o novo uso do prédio aumente a circulação de pessoas.
O relojoeiro Saúl Danielson está entre os poucos comerciantes que permaneceram na região durante o período de maior abandono.
“Perseverança é o que não nos faltou. Estamos na luta e acreditando que o prédio terá um novo rumo daqui para frente.”
Saúl Danielson está entre os comerciantes que permaneceram na região durante o período de abandono
Arquivo/TV morena
Para o conselheiro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso do Sul (CAU-MS), Gustavo Shiota, a revitalização precisa ir além da reforma física.
Segundo ele, a ocupação permanente por moradores, comércio e serviços reduz a degradação urbana e aumenta a sensação de segurança.
“A ativação do espaço, seja com comércio, habitação ou serviços públicos, tende a reduzir os problemas e transformar toda a região.”
O especialista destaca que o prédio ocupa uma quadra inteira em uma área com infraestrutura consolidada e potencial para diferentes usos.
Segurança e preocupações
Além do atraso, comerciantes apontam a insegurança como um dos principais obstáculos para a retomada econômica da região.
O síndico do condomínio comercial afirma que, embora haja patrulhamento da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar, o policiamento ainda não é suficiente para afastar usuários de drogas e pessoas em situação de rua que ocupam o entorno.
Segundo ele, essa situação intimida consumidores e dificulta a recuperação do comércio.
O especialista em segurança pública ouvido pela reportagem afirma que apenas a reforma não resolverá o problema.
Para ele, a revitalização precisa ser acompanhada de ações permanentes de policiamento preventivo e ocupação do espaço público.
Obra também é investigada pelo Ministério Público
Em outubro de 2025, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou procedimento para apurar possíveis irregularidades relacionadas ao contrato da revitalização.
A investigação analisa denúncias sobre atrasos no cronograma, aditivos e sucessivas prorrogações da obra.
A Prefeitura chegou a informar que a entrega ocorreria em junho de 2026, mas comerciantes ainda aguardam uma definição sobre a conclusão dos trabalhos e esperam que o espaço finalmente volte a atrair moradores, consumidores e investidores para a região central de Campo Grande.
A obra começou em 2022 e ainda não foi concluída e continua cercada por tapumes
Arquivo/TV morena
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