
IML investiga circunstâncias das mortes de duas mães depois do parto em Samambaia
O secretário de Saúde do Distrito Federal, Juracy Cavalcante, e a presidente do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IgesDF), Eliane Abreu, comentaram nesta quinta-feira (16) os seis casos recentes de mortes registrados na rede pública de saúde do DF que levaram familiares a denunciar possível negligência médica.
Durante coletiva de imprensa, Juracy afirmou que todos os casos são investigados, mas defendeu que os episódios são “fatos isolados” e não representam a rotina da rede pública.
Segundo o secretário, eventuais responsabilidades só poderão ser apontadas após a conclusão das apurações.
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Em menos de um mês, o g1 e a TV Globo registraram seis casos de mortes em unidades de saúde do DF. Quatro deles envolveram a morte de bebês ou de mães – três, relacionados ao momento do parto. São eles:
Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, morreu sem receber atendimento na UPA do Recanto das Emas, em 20 de junho;
Luciana Ferreira, de 34 anos, perdeu a primeira filha no parto após idas e vindas do hospital, em 29 de junho;
Maria Vitória, de 5 meses, morreu depois de ser extubada de forma acidental na transferência entre o Hospital de Planaltina e o Hospital da Criança de Brasília, em 6 de julho;
Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, morreu durante o parto no Hospital de Samambaia, na sexta (10);
Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, morreu na calçada da porta do Hospital de Base, em Brasília, no domingo (12);
Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, morreu durante o parto no Hospital Regional de Samambaia, na segunda (13);
Maria Vitória
Família denuncia morte de bebê após tubo de respiração ser retirado acidentalmente no DF
Maria Vitória de Sousa Machado, de 5 meses, morreu no dia 6 de julho durante a transferência do Hospital Regional de Planaltina para o Hospital da Criança de Brasília.
A família afirma que o tubo de respiração da bebê foi retirado acidentalmente durante o transporte. O prontuário médico obtido pela TV Globo registra que a criança foi “acidentalmente extubada”.
O secretário de Saúde, Juracy Cavalcante, afirmou que a bebê nasceu prematura, ficou cerca de dois meses internada e, após receber alta com oxigênio domiciliar, voltou ao Hospital Regional de Planaltina com suspeita de bronquiolite.
Segundo ele, a criança conseguiu uma vaga de UTI no Hospital da Criança no mesmo dia, mas a Secretaria apura se houve uma extubação acidental durante o transporte, realizado por uma empresa terceirizada.
“Caso realmente se concretize a suspeita de extubação desse paciente no trajeto, nós já estamos tomando as devidas providências para uma possível rescisão do contrato junto à empresa”, afirmou.
Maria Graciana Andrade Alves
Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos e grávida de 41 semanas, morreu durante o parto no Hospital Regional de Samambaia
reprodução
Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, morreu após dar à luz no Hospital Regional de Samambaia. Segundo o secretário de Saúde, ela chegou à unidade com 41 semanas de gestação e foi submetida ao protocolo de indução do parto, autorizado pela paciente e pelo acompanhante.
O secretário afirmou que a gestante foi reavaliada diversas vezes ao longo do atendimento e negou que tenha havido abandono.
Segundo ele, durante a evolução do trabalho de parto, a equipe indicou uma cesariana. Após o procedimento, a paciente apresentou um quadro de atonia uterina e teve hemorragia.
🔍 A atonia uterina acontece quando o útero não se contrai adequadamente após o parto. Essa contração é importante para a liberação da placenta. Quando não acontece, o sangue na região continua fluindo – o que pode virar um sangramento grave.
A Secretaria afirma que todos os protocolos foram seguidos e que, apesar das tentativas de controle do sangramento, incluindo a retirada do útero (histerectomia), a paciente morreu.
“O que eu quero dizer é que essa paciente recebeu devido atendimento. A apuração é que vai caracterizar se houve imperícia ou negligência, mas é importante que saibam que nós tínhamos um quadro [de saúde] importante para discutir”, afirmou.
Maria Aparecida Galdino dos Santos
Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, morreu apos dar à luz em Samambaia, no DF
TV Globo/Reprodução
Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, morreu horas após dar à luz no Hospital Regional de Samambaia.
Segundo a Secretaria, ela chegou ao hospital já em trabalho de parto, com 38 semanas de gestação. No entanto, durante o trabalho de parto ela teve um episódio de sangramento nasal, o que levou a equipe a suspeitar de um distúrbio de coagulação — exames posteriores confirmaram a alteração.
🔍distúrbios de coagulação são condições em que o sangue não coagula corretamente. Eles podem causar sangramentos prolongados e excessivos (hemorragias) ou, inversamente, a formação perigosa de coágulos (trombose).
De acordo com Juracy, esse quadro seria de difícil reversão.
“Se essa paciente tivesse sido submetida a uma cesariana diante desse quadro, provavelmente ela teria o óbito ali mesmo na mesa cirúrgica”, afirmou.
Mortes em portas de unidades de saúde
Iges-DF abre sindicância para apurar morte em sala de espera da UPA do Recanto das Emas
Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, morreu em 20 de junho na antessala da UPA do Recanto das Emas sem receber atendimento. O caso é investigado pela Polícia Civil.
Já Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, morreu no dia 12 de julho na calçada da entrada do Hospital de Base. Segundo familiares, o homem chegou à unidade com intensa falta de ar e pediu ajuda diversas vezes. No entanto, o atendimento não foi feito de imediato.
VÍDEO mostra desespero de irmã de homem que morreu em frente a hospital do DF
A presidente do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IgesDF), Eliane Abreu, afirmou que os dois casos seguem sob apuração administrativa.
No caso de Vilmar, ela disse que o processo administrativo disciplinar instaurado pelo instituto está em fase final de conclusão.
“O instituto também encaminhou para as comissões éticas de enfermagem e médica para apuração junto aos órgãos e às entidades dos conselhos de classe […] e tem se colocado à disposição para qualquer esclarecimento junto à Polícia Civil do Distrito Federal.”
Sobre a morte de Rodrigo, a presidente afirmou que acompanha pessoalmente as investigações desde o ocorrido. Segundo ela, o IgesDF analisa imagens de câmeras, prontuários e instaurou uma apuração interna para definir as medidas administrativas cabíveis.
Luciana Ferreira
Mãe perde bebê após idas e vindas em hospital público do DF
O caso de Luciana Ferreira não foi comentado durante a coletiva desta quinta-feira (16). A mulher, de 34 anos, registrou um boletim de ocorrência por possível violência obstétrica após perder a primeira filha, Helena.
Segundo a família, ela procurou o Hospital Regional de Planaltina diversas vezes entre os dias 26 e 29 de junho, em trabalho de parto. A bebê nasceu sem vida, e o atestado de óbito apontou parada cardiorrespiratória e hipoxia intrauterina, ou seja, falta de oxigênio.
Secretaria de Saúde do DF faz coletiva após casos recentes de mortes por possíveis negligências.
TV Globo/Reprodução
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