Os 10 maiores sítios arqueológicos do mundo

Gravura em pedra no sítio arqueológico de Tassili n’Ajjer, na ArgéliaAzzedine Rouichi/Unsplash

A história da humanidade está escrita em pinturas rupestres, cidades antigas, templos e objetos deixados por povos que viveram há milhares de anos. Com base na lista de Patrimônios Mundiais da UNESCO, é possível encontrar os maiores sítios arqueológicos do planeta. O maior deles ocupa uma área próxima ao tamanho da Irlanda.

Entre esses lugares estão desertos cobertos por pinturas nas pedras, antigas capitais de grandes civilizações, regiões com geoglifos, templos enormes e paisagens que guardam pistas da vida de povos do passado.

O ranking considera o tamanho do território dos patrimônios reconhecidos pela UNESCO que têm vestígios arqueológicos importantes.

Alguns desses lugares também são classificados como patrimônios mistos, por juntarem o valor histórico e a importância natural, com florestas, animais e formações geológicas preservadas. Outros patrimônios não fazem parte desta lista por terem registros arqueológicos, mas como principal destaque para os seus aspectos naturais.

Confira os dez maiores sítios arqueológicos do mundo em extensão territorial.

1 – Tassili n’Ajjer, na Argélia

No meio do deserto do Saara, no sudeste da Argélia, o Tassili n’Ajjer tem enormes formações de arenito, conhecidas como “florestas de pedra”, esculpidas durante milhares de anos pela ação do vento e da água.

Tassili n’Ajjer, na ArgéliaAzzedine Rouichi/Unsplash

Com 7,2 milhões de hectares, o lugar é o maior sítio arqueológico da lista e preserva uma das coleções de arte rupestre mais importantes do mundo. São mais de 15 mil pinturas e gravuras feitas em rochas, algumas produzidas há cerca de 10 mil anos.

Os desenhos mostram animais e situações do cotidiano dos povos que viveram na região. Entre as imagens estão espécies que desapareceram do Saara, como hipopótamos, mostrando que o ambiente do deserto já foi muito diferente no passado.

Segundo a UNESCO, os registros encontrados no Tassili n’Ajjer ajudam a entender as mudanças no clima, na vegetação, nos animais e nos modos de vida das populações humanas ao longo dos milhares de anos.

Além dessas pinturas e gravuras, a região tem abrigos antigos, túmulos e outras construções arqueológicas deixadas por diferentes grupos de humanos. O local foi reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1982.

2 – Tadrart Acacus, na Líbia

Perto da fronteira com a Argélia, no sudoeste da Líbia, os Sítios de Arte Rupestre de Tadrart Acacus ocupam 3,9 milhões de hectares.

Sítios de arte rupestre de Tadrart AcacusRoberto D’Angelo/Flickr

A área tem milhares de pinturas e gravuras espalhadas por cavernas e paredões rochosos do deserto. Os registros mostram diferentes fases da presença humana no Saara, desde cerca de 12 mil anos atrás até o primeiro século da era cristã.

As imagens mostram animais, pessoas e cenas do cotidiano, além de registrar as transformações na vegetação, na fauna e nos modos de vida dos povos que ocuparam a região durante diferentes períodos.

3 – Calakmul, no México

No sul do México, no centro da península de Iucatã, a antiga cidade maia de Calakmul é cercada por uma das maiores florestas tropicais das Américas.

Cidade Maia Antiga e Florestas Tropicais Protegidas de Calakmul, CampecheReprodução/Governo do México

O patrimônio ocupa 331 mil hectares e conserva os traços de uma das cidades mais importantes da civilização maia, que funcionou como centro político e religioso por mais de 12 séculos, entre aproximadamente 500 a.C. e 1000 d.C.

O lugar reúne templos, palácios, monumentos de pedra e inscrições em hieróglifos que contam parte da história da dinastia Kaan, uma das mais poderosas entre os maias.

A área também abriga mais de 500 sítios arqueológicos e uma grtande biodiversidade, com animais como jaguares, onças-pardas e diversas espécies de macacos.

4 – Kondoa, na Tanzânia

Os Sítios de Arte Rupestre de Kondoa ocupam 233 mil hectares nas encostas da escarpa Masai, perto do Vale do Grande Rifte, na Tanzânia.

Pinturas rupestres em Kondoa, TanzâniaD. Tamino Boehm/Wikimedia Commons

O conjunto tem entre 150 e 450 locais com pinturas feitas em abrigos naturais de rocha ao longo de pelo menos dois milênios.

Os desenhos mostram mudanças na vida das populações que viveram nessa região, desde grupos de caçadores-coletores até comunidades que passaram a praticar agricultura e criar animais.

Alguns desses abrigos continuam sendo utilizados por comunidades locais em cerimônias tradicionais relacionadas à chuva e à cura.

5 – Serra de São Francisco, no México

Localizadas na Reserva da Biosfera El Vizcaíno, na península da Baixa Califórnia, no México, as Pinturas Rupestres da Serra de São Francisco ocupam 182 mil hectares.

Pinturas da Sierra de San Francisco, no MéxicoReprodução/Governo do México

O local abriga uma das maiores coleções de arte rupestre do mundo, com centenas de cavernas e paredões cobertos por imagens de humanos e animais.

As pinturas foram feitas com pigmentos vermelhos, pretos, brancos e amarelos, aproximadamente entre 100 a.C. e 1300 d.C. O clima seco e o difícil acesso ajudaram a conservar esses registros por séculos.

6 – Serra da Capivara, no Brasil

O Parque Nacional Serra da Capivara, no estado brasileiro do Piauí, ocupa 130 mil hectares e reúne mais de 300 sítios arqueológicos.

Parque Nacional Serra da CapivaraReprodução/FUMDHAM

O local é conhecido principalmente pelas pinturas rupestres, algumas com mais de 25 mil anos. As descobertas feitas na região, especialmente no sítio Boqueirão da Pedra Furada, ajudaram a mudar os estudos sobre a ocupação humana nas Américas.

Pesquisas indicam que grupos humanos podem ter vivido no local há cerca de 50 mil anos. O parque tem vestígios de diferentes comunidades, incluindo caçadores-coletores e povos que desenvolveram agricultura e produção de cerâmica.

  • VEJA TAMBÉM: Quais são os principais sítios arqueológicos do Brasil?

7 – Paisagem Arqueológica das Primeiras Plantações de Café de Cuba

No sudeste de Cuba, a Paisagem Arqueológica das Primeiras Plantações de Café ocupa 81 mil hectares.

Moinho utilizado para o processamento de caféSigi Knoll/Wikimedia Commons

O patrimônio preserva os restos de 171 antigas fazendas de café construídas no século XIX, com casas, áreas para secagem dos grãos, sistemas de irrigação e caminhos usados para transportar a produção até os portos.

As propriedades eram administradas principalmente por franceses e haitianos e utilizavam mão de obra escravizada africana. O lugar faz parte de um importante capítulo da história econômica e social do Caribe e da América Latina.

8 – Linhas e Geoglifos de Nasca e Palpa, no Peru

No deserto da costa peruana, cerca de 400 quilômetros ao sul da capital Lima, estão alguns dos desenhos mais famosos feitos pela humanidade.

Linhas e Geoglifos de Nasca e Palpa, no PeruReprodução/Governo do Peru

As Linhas e Geoglifos de Nasca e Palpa ocupam 75.358 hectares e reúnem figuras gigantes desenhadas no solo entre 500 a.C. e 500 d.C.

Os geoglifos representam animais, plantas, seres imaginários e formas geométricas que podem alcançar vários quilômetros de extensão.

A função desses desenhos ainda é estudada por arqueólogos, mas muitos pesquisadores acreditam que eles estavam ligados a práticas religiosas e observações astronômicas.

9 – Tikal, na Guatemala

O Parque Nacional Tikal, na Guatemala, ocupa 57.600 hectares e preserva uma das cidades mais importantes da civilização maia.

Parque Nacional Tikal, na GuatemalaPawel Wieladek/Unsplash

Habitada entre o século VI a.C. e o século X d.C., Tikal foi um centro político e religioso com grandes templos, palácios e praças usados em cerimônias.

Além das construções antigas, o patrimônio também protege uma floresta tropical com animais como jaguares, onças-pardas, macacos e mais de 300 espécies de aves.

10 – Angkor, no Camboja

Conhecido mundialmente pelo templo de Angkor Wat, o complexo arqueológico de Angkor ocupa 40.100 hectares e reúne os restos das antigas capitais do Império Khmer.

Angkor, no CambojaDick Hoskins/Unsplash

A civilização dominou parte do Sudeste Asiático entre os séculos IX e XV, deixando como legado templos, reservatórios e grandes construções de pedra.

Entre os monumentos mais famosos estão Angkor Wat e o Templo de Bayon, conhecido pelas enormes esculturas de rostos esculpidos nas paredes.

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