A temporada de balanços corporativos começou com resultados positivos, especialmente entre os bancos, e pode reforçar o movimento de rotação entre setores no mercado norte-americano. A avaliação é de William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, em entrevista à BM&C News.
Segundo o especialista, a divulgação dos resultados trimestrais permite avaliar a situação financeira das empresas, a evolução da demanda e as perspectivas apresentadas pelas companhias para os próximos meses.
Os números reportados pelos bancos representaram um início favorável para a temporada. Castro Alves destacou que as instituições financeiras precisam realizar provisões quando identificam riscos maiores de inadimplência ou dificuldades econômicas futuras.
Na avaliação do estrategista, os balanços não indicaram até agora uma deterioração relevante nesse sentido. Para ele, os resultados bancários mostram que um setor importante da economia continua preparado para a atividade projetada à frente.
Temporada de balanços também testa empresas de tecnologia
Apesar da reação negativa das ações de algumas companhias, William Castro Alves avalia que os números apresentados pelo setor de tecnologia não foram necessariamente ruins. Empresas ligadas a semicondutores registraram crescimento e demanda, ainda que seus papéis tenham recuado após a divulgação dos balanços.
O estrategista citou movimentos de queda em ações como Netflix e IBM, além da reação negativa do mercado a resultados de companhias do setor de chips. Ele ressaltou, porém, que desempenho operacional e comportamento das ações não caminham sempre na mesma direção.
Com uma agenda de indicadores econômicos menos intensa, a expectativa é que os investidores passem a observar com mais atenção os balanços, as projeções das empresas e os planos de investimento apresentados pelas companhias.
Segundo Castro Alves, esses dados serão importantes para verificar se o crescimento dos lucros consegue sustentar as avaliações das empresas, principalmente entre aquelas que acumularam altas relevantes nos últimos meses.
Recursos migram para bancos, saúde e indústria
Castro Alves avalia que o mercado norte-americano passa por uma rotação de setores, mas sem uma retirada generalizada de recursos do país. O dinheiro realizado em empresas de semicondutores estaria sendo direcionado para segmentos como bancos, saúde e indústria.
“O dinheiro não está saindo dos Estados Unidos”, afirmou.
Segundo ele, os investidores continuam utilizando o mercado norte-americano como uma das principais plataformas para realizar alocações globais.
Parte das ações de semicondutores chegou a registrar quedas entre 30% e 40% depois de acumular valorizações superiores a 200%, de acordo com o estrategista. Esse movimento, segundo Castro Alves, pode ser entendido como uma realização após um período de forte alta.
Ele também citou o desempenho do setor industrial e um indicador do Federal Reserve da Filadélfia como sinais de que a economia dos Estados Unidos continua apresentando resiliência.
Nesse ambiente, a rotação ocorre dentro do próprio ciclo de valorização, sem provocar uma queda generalizada dos índices.
Resultados podem reduzir avaliação das empresas
Para William Castro Alves, a entrega de lucros pelas empresas de tecnologia pode alterar a percepção sobre o preço de suas ações. Caso uma companhia como a Nvidia apresente crescimento de resultados, por exemplo, sua relação entre preço e lucro pode diminuir mesmo sem uma queda adicional do papel.
O estrategista explicou que as correções também permitem aos investidores reduzir a exposição depois de acumularem ganhos e se protegerem de possíveis projeções mais fracas, aumento de investimentos ou outras informações que não sejam bem recebidas pelo mercado.
“A meu ver, é algo normal que acontece e que a gente já viu”, afirmou.
Segundo ele, a economia norte-americana continua dando sinais de resistência, o que reduz, até o momento, a possibilidade de uma venda generalizada de ativos.
Diversificação internacional segue no radar
Ao analisar a posição do investidor brasileiro, Castro Alves afirmou que os riscos internos continuam elevados. Ele citou o cenário fiscal, a curva de juros e a volatilidade relacionada ao processo eleitoral como fatores que podem afetar o câmbio.
Na avaliação do estrategista, o cenário externo também mudou em relação ao início do ano. A resiliência da economia dos Estados Unidos, os juros e os conflitos internacionais diminuíram a expectativa de um enfraquecimento mais intenso do dólar.
Castro Alves defendeu que o investidor não deve considerar apenas os juros elevados no Brasil como proteção suficiente para a carteira. Segundo ele, movimentos cambiais podem ocorrer de forma rápida e afetar o resultado acumulado em ativos denominados em reais.
Além da exposição ao dólar, o estrategista destacou que a alocação internacional permite acessar oportunidades em setores como bancos, indústria, saúde e tecnologia. Para Castro Alves, a diversificação reduz a dependência de uma única moeda, geografia e cenário econômico.
“É pensar com essa cabeça de investidor global, se aproveitando dessas oportunidades, e não ficar refém de uma única moeda, de uma única geografia, de um único cenário político e de um único cenário econômico”, concluiu.
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