
Bombeiros atendendo ocorrências de queimadas em Santarém
Reprodução TV Tapajós
O aumento expressivo dos incêndios em vegetação antes mesmo do início do verão amazônico acendeu o alerta das autoridades em Santarém, no oeste do Pará. Dados do Corpo de Bombeiros mostram que, entre janeiro e julho deste ano, foram registradas 30 ocorrências de incêndios em áreas de vegetação, número 233,3% maior do que o contabilizado no mesmo período do ano passado, quando houve apenas nove registros.
✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp
Diante do cenário e da possibilidade de uma estiagem mais intensa nos próximos meses, os órgãos ambientais e de segurança já reforçam as ações de monitoramento, fiscalização e combate às queimadas.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a maior parte das ocorrências está concentrada em bairros da periferia de Santarém, onde ainda é comum a utilização do fogo para limpeza de terrenos e abertura de áreas.
De acordo com o sargento Júlio César Galúcio, as estatísticas começaram a crescer justamente com a chegada dos dias mais quentes.
“Infelizmente, os bairros da periferia são os que mais registram números de queimadas. Devido aos dias mais quentes, nossas estatísticas mostram que essa prática aumentou neste mês. Até junho, era zero o número de ocorrências de queimas em vegetação”, afirmou.
Apesar do aumento dos registros, o militar explica que, até o momento, os incêndios permanecem concentrados em áreas abertas e ainda não avançaram de forma significativa sobre áreas de floresta.
Preparação para queimadas durante o verão amazônico
“Por enquanto, esse fogo não tem se alastrado para dentro das matas com força. Então, ele fica naquela área onde as pessoas costumam fazer a limpeza dos terrenos. Mas estamos atentos e atuando em todas as ocorrências”, destacou.
Com a aproximação do período mais seco do ano, a corporação também reforça o efetivo para enfrentar uma possível intensificação dos incêndios.
Segundo o sargento Galúcio, 118 novos militares estão em fase de treinamento e deverão atuar nas operações de combate ao fogo.
“Eles já vão reforçar nosso trabalho nas ocorrências de incêndios florestais durante este período de maior risco”, explicou.
A preocupação também é compartilhada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), que acompanha diariamente as condições climáticas e o comportamento dos focos de calor. A previsão de um fenômeno El Niño mais intenso do que o registrado em 2024 aumenta o risco de queimadas durante o verão amazônico.
O chefe da Divisão de Controle Ambiental da Semma, Heiby Sarrazin, afirma que o município utiliza imagens de satélite para identificar áreas de maior risco e agir preventivamente.
“A gente faz um trabalho preventivo de monitoramento via satélite, todos os dias, analisando os dados tanto para prever onde poderão ocorrer mais focos de incêndio quanto para nos prepararmos preventivamente para futuras ocorrências”, explicou.
Além do monitoramento, a Semma intensifica campanhas educativas para conscientizar moradores sobre os riscos das queimadas e as consequências legais para quem provocar incêndios.
Segundo Sarrazin, embora a prioridade seja orientar a população, a legislação prevê punições para quem descumprir as normas ambientais. “As penalidades existem, mas estamos atuando primeiro de forma educativa. No entanto, temos mecanismos jurídicos para responsabilizar os infratores tanto na esfera administrativa quanto criminal”, ressaltou.
As autoridades alertam que colocar fogo em vegetação, mesmo em terrenos particulares, pode provocar incêndios de grandes proporções, especialmente durante o período de estiagem, quando a vegetação seca favorece a rápida propagação das chamas.
A orientação é que a população evite qualquer tipo de queimada e acione imediatamente o Corpo de Bombeiros ao identificar focos de incêndio, contribuindo para reduzir os impactos ambientais e proteger áreas urbanas e florestais da região.
Colaboração: Zé Rodrigues/TV Tapajós
