Prometeu lucro de 400%, sumiu e hoje ostenta em Dubai: como era esquema de brasileira condenada por pirâmide


Ostentação em Dubai, dívidas e investigações no Brasil
Promessas de lucros muito acima do mercado, incentivo para que investidores fizessem empréstimos e justificativas recorrentes para atrasos nos pagamentos. Segundo investigações da Polícia Civil e decisões da Justiça, esse era o modo de atuação de Isabela Christy Gomes Barros. Ela foi condenada por estelionato e crime contra a economia popular em um esquema de pirâmide financeira e atualmente mora em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Condenada por aplicar golpe de pirâmide financeira leva vida de ostentação em Dubai
O esquema
De acordo com as investigações, Isabela e o então marido, Davi Robson de Barros, ofereciam supostos investimentos com retornos considerados incompatíveis com o mercado. As promessas incluíam lucro de 100% em 40 dias, 150% em 72 dias e até 400% em um ano.
Os contratos entregues aos investidores, segundo a polícia, não detalhavam onde o dinheiro seria aplicado. Em vez disso, utilizavam expressões genéricas, como “operação realizada no modelo de aceleração financeira privada”, sem explicar o funcionamento do negócio.
As investigações apontam ainda que, quando potenciais clientes diziam não ter recursos para investir, Isabela os incentivava a buscar empréstimos ou utilizar o limite do cartão de crédito.
Uma das vítimas contou que foi orientada a contratar crédito porque, segundo a empresária, os juros seriam pagos e o retorno prometido compensaria o empréstimo.
Outra vítima afirmou ter pegado R$ 10 mil com um agiota, pagando juros de 30% ao mês, após ser convencida por Isabela de que o investimento seria seguro. O dinheiro, segundo ele, nunca foi devolvido.
No início do esquema, alguns investidores chegaram a receber os rendimentos prometidos, o que, segundo a polícia, ajudava a transmitir credibilidade e atrair novos participantes.
Quando os pagamentos começaram a atrasar, surgiram diferentes justificativas. Segundo depoimentos de vítimas, Isabela alegava problemas com plataformas financeiras, dificuldades bancárias ou até o encerramento de contratos por causa da alta movimentação de dinheiro.
Em uma das mensagens apresentadas na investigação, ela afirma que o banco teria encerrado a relação comercial devido ao grande volume de recursos movimentados pelo casal.
Para os investigadores, porém, as características identificadas no caso são típicas de uma pirâmide financeira, modelo que depende da entrada constante de novos investidores para manter os pagamentos aos participantes mais antigos. Quando esse fluxo diminui, o sistema deixa de funcionar e os prejuízos aparecem.
Segundo a Polícia Civil, o primeiro inquérito identificou cerca de mil vítimas em diferentes estados do país.
Mesmo após cumprir pena, Isabela voltou a ser investigada. A polícia apura denúncias de que ela estaria captando novos investidores a partir de Dubai, onde vive atualmente. O novo inquérito estima cerca de 500 possíveis vítimas em todo o Brasil.
Ao Fantástico, Isabela afirmou ser inocente e disse que pretende devolver aos clientes, sem juros, os valores originalmente investidos.
‘Partiu Dubai’: vídeo mostra condenada por pirâmide comemorando saída do Brasil apesar de proibição da Justiça
Izabela Cristy, condenada por crime de pirâmide financeira, vive vida de luxo em Dubai.
Reprodução/Fantástico
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