Ortega afirma que Nicarágua não realizará novas eleições

Daniel Ortega, presidente da NicaráguaReprodução

O copresidente da Nicarágua, Daniel Ortega (FSLN), afirmou que o país não realizará mais eleições. A declaração põe em risco a votação geral prevista para novembro de 2027 e fecha outra porta para a alternância de poder. O político não apresentou decreto, projeto de lei ou prazo para executar a medida. Também não explicou se pretende extinguir todas as votações ou impedir apenas que partidos de oposição disputem o governo.

O líder nicaraguense, de 80 anos, fez a declaração no domingo (19), durante uma cerimônia em Manágua pelos 47 anos da Revolução Sandinista. Foi a primeira aparição pública dele em dois meses.

Ortega promete usar Parlamento contra partidos de oposição

No restante do discurso, Ortega concentrou os ataques nos adversários políticos. Ele acusou grupos de oposição de receber apoio dos Estados Unidos para chegar ao poder e não apresentou provas.

O copresidente disse que trabalhará com a Assembleia Nacional e outros órgãos para aprovar leis que coloquem “um muro” e “um bloqueio” contra pessoas classificadas por ele como “golpistas” e “traidores da pátria”.

A Assembleia Nacional é controlada pela Frente Sandinista de Libertação Nacional, partido de Ortega. O governo também exerce influência sobre a Justiça, as Forças Armadas, a polícia e o órgão eleitoral.

Segundo a Reuters, Ortega não explicou como o fim das eleições seria formalizado. A frase foi ampla, mas as medidas citadas por ele tratam principalmente da criação de barreiras contra partidos adversários.

Eleições na Nicarágua estavam marcadas para 2027

A Nicarágua deveria realizar eleições gerais em novembro de 2026. O calendário mudou após uma reforma constitucional, ratificada pelo Parlamento em janeiro de 2025, aumentar o mandato presidencial de cinco para seis anos. A votação foi empurrada para novembro de 2027.

A reforma constitucional também transformou Rosario Murillo (FSLN), esposa de Ortega, em copresidente. Os dois passaram a coordenar os poderes Legislativo, Judiciário e Eleitoral, que antes eram formalmente independentes.

Rosario era vice-presidente. A alteração consolidou em lei uma divisão de poder que já existia dentro do governo.

Ortega governou a Nicarágua durante a década de 1980 e voltou à Presidência em 2007. Desde então, permanece no comando do país.

Última eleição teve adversários presos

A última eleição presidencial foi realizada em novembro de 2021. Naquele ano, sete possíveis candidatos de oposição foram presos antes da votação.

Partidos tiveram registros cancelados, veículos de imprensa sofreram restrições e dezenas de empresários, ativistas e jornalistas foram presos ou deixaram o país. Ortega foi declarado vencedor com cerca de 76% dos votos.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) não reconheceu a legitimidade da eleição. Dias depois, a Nicarágua formalizou o processo de saída da OEA.

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas acusa o governo Ortega-Murillo de violações sistemáticas e de transformar a Nicarágua em um Estado autoritário. O governo rejeita as acusações e afirma enfrentar grupos financiados por governos estrangeiros.

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