
Quase toda onda que chega à praia começou com vento. Ele sopra sobre a superfície do mar, frange a camada de cima da água e passa parte de sua energia para ela. A partir deste processo nascem as primeiras ondulações, chamadas de ondas capilares, consideradas minúsculas (1 a 2 centímetros).
Quando o vento para imediatamente, essas ‘ondinhas’ somem. Se o vento continua soprando, porém, a água vai se acumulando… a ondulação cresce, se alonga e ganha velocidade até virar a onda que conhecemos.

O tamanho depende de três fatores: a força do vento, o tempo que ele dura e a distância que percorre sobre o mar, algo que os oceanógrafos chamam de pista. Um aspecto importante e pouco falado é que, teoricamente, a água quase não sai do lugar. O que viaja de um ponto a outro é a energia, não a massa de água.
É por esse motivo, inclusive, que uma onda consegue nascer no meio de uma tempestade em alto mar e alcançar a costa mesmo sem vento algum soprando por ali. Estas são as chamadas ondulações de swell, que cruzam milhares de quilômetros com a energia acumulada na origem. Só é possível surfar em dias de mar calmo e céu limpo graças a estas ondulações.

As maiores ondas do mundo aparecem onde o vento fica forte por vários dias seguidos, caso do sul do Oceano Índico, onde podem passar dos 9 metros. No entanto, nem tudo vem do vento. Terremotos sentidos no fundo do oceano empurram grandes volumes de água e geram as famosas tsunamis, geradas através de um processo distinto daquele de ondas comuns.

Para além disso, tudo muda quando se chega perto da praia. Em água rasa a onda raspa no fundo, gerando um atrito que segura a base enquanto o topo avança, até a ondulação perder o equilíbrio e quebrar. O mesmo atrito arrasta a areia, motivo pelo qual o material se acumula após a arrebentação.
