Exames apontam mercúrio quatro vezes acima do limite no organismo de professora intoxicada

Professora de artesanato acusa aluna por intoxicação com mercúrio
Os exames realizados na professora que foi intoxicada com mercúrio apontaram que a concentração da substância no organismo dela ultrapassou o valor considerado aceitável. O resultado faz parte da investigação que apura o caso e reforça a suspeita de envenenamento.
🔎O mercúrio é um metal altamente tóxico, proibido em termômetros no Brasil desde 2019, e pode provocar danos graves ao cérebro, além de atingir órgãos como rins, intestino e pele.
Os laudos periciais apontaram a presença de mercúrio nas duas garrafas de água usadas pela professora. O metal também foi identificado em exames de sangue e urina. No sangue de Deni, a concentração encontrada foi de 21 microgramas.
O mercúrio é um metal líquido de cor prateada e altamente tóxico. Em níveis elevados ou após exposição prolongada, pode causar danos graves ao sistema nervoso e comprometer órgãos como rins, intestino e pele.
“Está quatro vezes acima do valor tolerado pelo organismo. Mas não é só esse valor elevado que causa dano neurológico. Quanto mais tempo o paciente permanece contaminado pelo mercúrio, maior a tendência de desenvolver lesões, que podem não ter reversão completa”, explica o neurologista Marcílio Oliveira.
Os exames foram realizados depois que a professora procurou atendimento médico ao apresentar uma série de sintomas, como dores intensas, tremores, fraqueza e alterações neurológicas. Ela ficou internada e precisou passar por tratamento para reduzir os efeitos da intoxicação.
A Polícia Civil ainda não conseguiu determinar por quanto tempo o mercúrio teria sido colocado na água consumida pela professora. Segundo Deni, os sintomas começaram cerca de um ano antes da gravação dos vídeos que mostram a suspeita manuseando as garrafas. As imagens foram registradas nos dias 3 e 5 de junho do ano passado.
Mais de um ano após os vídeos e da confirmação da presença de mercúrio no organismo da professora, a investigação ainda não foi concluída.
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O caso
A investigação teve início depois que a professora Denny passou a desconfiar da mudança no gosto da água e do comportamento de uma aluna do curso de artesanato onde atuava como voluntária. Para confirmar as suspeitas, ela instalou um celular escondido na sala de aula. As imagens registraram a mulher colocando um material dentro da garrafa de água da professora em duas ocasiões.
As garrafas foram encaminhadas para perícia, que confirmou a presença de mercúrio no líquido. Exames realizados na vítima também detectaram o metal no sangue e na urina. Segundo os médicos, a concentração encontrada no organismo era quatro vezes superior ao limite considerado tolerável e pode causar danos neurológicos permanentes.
Apesar das provas reunidas, a investigação ainda não foi concluída. Para a defesa da professora, o tempo transcorrido preocupa.
“Para o leigo, talvez só a filmagem e os depoimentos seriam suficientes. A gente está tratando de buscar mais informações capazes de demonstrar que ela praticou a conduta”, afirmou o delegado responsável pelo caso.
O advogado da vítima, no entanto, cobra mais celeridade.
“Já estamos com um lapso de quase um ano. Os laudos já apontavam que era mercúrio. A defesa hoje busca uma conclusão da investigação, mas uma conclusão bem feita”, afirmou.
A polícia trabalha com a hipótese de tentativa de homicídio. Segundo o delegado, a linha de investigação considera que a suspeita teria colocado mercúrio na água de forma repetida e consciente, o que reforça a possibilidade de que a intenção fosse provocar a morte da professora.
A investigada nega as acusações. Em nota, a defesa informou que ela faz tratamento por transtornos mentais e que não comentará o caso para não prejudicar a conclusão do inquérito. De acordo com a polícia, até o momento não foram apresentados documentos que comprovem esse diagnóstico.
Enquanto aguarda o desfecho da investigação, Deni segue convivendo com as sequelas da intoxicação. Ela relata dificuldades para caminhar, realizar tarefas domésticas e recuperar a força nas mãos, mas diz manter a esperança de voltar a ter a vida que levava antes da intoxicação.
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