Borderline pode ter origem genética, aponta maior estudo já feito sobre o transtorno


Síndrome de Borderline: maio é o mês de atenção ao Transtorno de Personalidade Limítrofe
Pesquisadores identificaram as primeiras evidências de que podem existir fatores genéticos de risco associados ao transtorno de personalidade borderline (TPB). O estudo, publicado na revista científica Nature Genetics, é o maior estudo genético já feito para a condição e revela que o transtorno pode não ter relação apenas com fatores ambientais, como se pensava até então.
➡️ O transtorno de personalidade borderline (TPB) é uma condição psiquiátrica caracterizada por instabilidade emocional, comportamental e nos relacionamentos interpessoais. Quem enfrenta o transtorno passa por emoções intensas e flutuantes, impulsividade e medo acentuado de abandono. Esses padrões comportamentais geralmente começam no início da idade adulta e se manifestam em diversos contextos.
A condição afeta até 2% das pessoas em países ocidentais, e as mulheres têm cerca de três vezes mais probabilidade de serem diagnosticadas com transtorno de personalidade borderline (TPB) do que os homens.
O estudo identificou 11 locais associados no genoma humano e, dentro ou próximos a essas amplas áreas, foram encontrados nove genes funcionais que parecem estar ligados ao transtorno.
Borderline está ligado também à fatores genéticos
G1
O que os pesquisadores descobriram?
Os pesquisadores queriam entender o quanto a genética influenciava na presença da doença nos pacientes. Por muito tempo, os transtornos foram conectados às questões ambientais, mas isso tem mudado com o aumento das pesquisas de genoma.
Os cientistas juntaram dados de 27 estudos diferentes, somando informações de pessoas diagnosticadas com o transtorno e de bancos de dados genéticos e de saúde de grande escala. Todos os participantes tinham ascendência europeia.
Para entender o que estava por trás do TPB, os cientistas fizeram uma espécie de “busca” no DNA dessas pessoas, procurando por pequenas variações genéticas que aparecessem com mais frequência em quem tem o transtorno do que em quem não tem.
Na primeira etapa, a equipe comparou o DNA de 12.339 pessoas com TPB ao de mais de 1 milhão de pessoas sem o transtorno. Desse comparativo, surgiram seis pontos do genoma — como se fossem seis “endereços” no mapa genético — que apareciam associados à condição.
Para confirmar se essas seis regiões não eram coincidência, os pesquisadores repetiram a análise com outro grupo de pessoas: 685 pacientes com TPB e mais de 107 mil sem o transtorno. As seis regiões se confirmaram nessa segunda checagem.
Depois, ao juntar os dados das duas etapas, o time conseguiu identificar mais cinco regiões que também pareciam ligadas ao transtorno — totalizando, assim, as 11 regiões do genoma associadas ao TPB.
Um dos achados mais chamativos foi a sobreposição genética entre o TPB e outras condições. Algumas das variantes encontradas também aparecem associadas à depressão, ao comportamento antissocial e ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
➡️ A correlação mais forte, no entanto, foi com o transtorno de estresse pós-traumático. Os pesquisadores acreditam que possa, de fato, ter uma relação entre experimentar um trauma e lidar com esses problemas de identidade.
A condição afeta até 2% das pessoas em países ocidentais, e as mulheres têm cerca de três vezes mais probabilidade
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E o que isso significa e o que há de limitações?
De acordo com os pesquisadores, o que o estudo mostrou é que as variantes explicam cerca de 17% do risco hereditário dos diagnósticos de Transtorno de Personalidade Borderline. É uma fatia relevante.
Os pesquisadores explicam que ainda são necessários estudos complementares, mas esse é um passo importante para ajudar no diagnóstico mais precoce. O transtorno pode ser difícil de ser fechado porque costuma ser confundido com outras questões de saúde mental.
Apesar do avanço, os próprios pesquisadores fazem questão de frisar os limites da descoberta. A genética é importante para ajudar na descoberta e diagnóstico, mas está longe de explicar o transtorno sozinha. Mesmo uma pontuação genética de risco muito alta não pode ser usada para prever, de forma isolada, se uma pessoa vai desenvolver TPB.
E é preciso cautela. O estudo não abre caminho para testes genéticos de diagnóstico — pelo menos não por enquanto.
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