O governo federal iniciou uma série de reuniões com representantes dos setores mais afetados pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Os encontros são coordenados pelo Ministério do Desenvolvimento, com participação do Ministério da Fazenda e do vice-presidente Geraldo Alckmin.
A primeira rodada reúne entidades dos setores de máquinas, calçados, plástico e indústria têxtil.
Outros encontros estão previstos ao longo da semana.
Tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros será avaliada por setor
O objetivo das reuniões é dimensionar possíveis perdas de contratos, impactos sobre a produção e os empregos e a necessidade de crédito para as empresas exportadoras. As informações serão utilizadas para preparar uma nova etapa do Plano Brasil Soberano, criado para apoiar companhias atingidas pelo tarifaço americano.
A equipe econômica afirma que as empresas receberão apoio, mas descarta um pacote amplo de gastos públicos.
A orientação é ampliar instrumentos já existentes, preservando os compromissos fiscais assumidos pelo governo.
Governo estuda crédito e abertura de mercados
Entre as medidas analisadas estão novas linhas de crédito, financiamento para exportadores, reforço das ações de promoção comercial e apoio à abertura de mercados alternativos. O alcance das ações será definido após a conclusão das reuniões com os setores produtivos.
A avaliação do governo é que ainda não existe um diagnóstico completo dos efeitos da tarifa sobre cada cadeia produtiva.
A estratégia será direcionar os recursos aos segmentos considerados mais vulneráveis, levando em conta a exposição ao mercado americano e os impactos sobre produção e emprego.
Negociação com a Casa Branca tem poucas perspectivas
Integrantes do governo avaliam que o canal de negociação com a Casa Branca está praticamente fechado neste momento. A percepção é que novas conversas relevantes poderão ocorrer somente depois das eleições brasileiras.
A estimativa oficial é que cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos sejam atingidas pela sobretaxa de 25%, que entra em vigor nesta semana.
Também existe a expectativa de uma tarifa adicional de 12,5%, relacionada à investigação americana sobre trabalho forçado.
Brasil mantém diálogo antes de eventual retaliação
Apesar das dificuldades, o governo brasileiro mantém a orientação de priorizar o diálogo antes de adotar medidas de retaliação. A Lei da Reciprocidade Econômica permanece disponível, mas é tratada como uma alternativa para uma etapa posterior. O Planalto também avalia recorrer à Organização Mundial do Comércio caso as conversas não avancem.
Ministros afirmam que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é permanecer na mesa de negociação e evitar que divergências políticas interrompam as tratativas com Washington.
Representantes do setor produtivo também defendem a continuidade das conversas para reduzir os efeitos das tarifas e preservar o fluxo comercial entre os países.
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