PCC: 18 investigados têm prisão decretada e R$ 10 mi bloqueados

GaecoReprodução

A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva de 18 pessoas investigadas por supostamente movimentar e esconder dinheiro para integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão também autorizou o bloqueio de até R$ 10 milhões em contas e investimentos de cada pessoa física relacionada, além da indisponibilidade de imóveis, veículos e outros bens.

Segundo o documento, o grupo transformava dinheiro vivo em transferências bancárias, usava empresas e contas de terceiros e oferecia uma fintech para esconder patrimônio de clientes ligados ao crime. A investigação ainda encontrou mensagens sobre valores destinados a “pagar a polícia” e uma disputa por imóvel levada a um tribunal do crime.

O juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, acolheu o pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). A ordem foi assinada em 6 de julho.

Fintech teria atendido integrantes da facção

Cléber Azevedo dos Santos é apontado como o principal articulador da rede. De acordo com a decisão, ele operava com Leonardo Meirelles a fintech Akron, apresentada a clientes como uma forma de evitar fiscalizações e dificultar o rastreamento de recursos. O iG já mostrou como funciona o braço financeiro do PCC.

Em um áudio citado no processo, Cléber teria afirmado que a estrutura aceitava valores vindos de criptomoedas, pirâmides financeiras e tráfico de drogas. A origem do dinheiro não impediria o negócio, desde que a transação fosse lucrativa.

Uma das formas de circulação era chamada de “troca de TED por vivo”. Nesse modelo, uma pessoa ou empresa fazia uma transferência bancária e recebia o mesmo valor em espécie. Assim, o dinheiro entrava no sistema financeiro em nome de outro titular.

A decisão cita empresas como  Informatic Software, Seven Trade, Risco Zero e Rob Ecommerce. Também teriam sido usadas contas de familiares e de pessoas sem ligação aparente com os verdadeiros donos dos recursos.

Em uma transação, Antonio Carlos Ubaldo Junior recebeu ordem para transferir R$ 230 mil. Foram enviados R$ 100 mil por uma empresa e R$ 150 mil por outra. O excedente de R$ 20 mil foi devolvido no dia seguinte.

Outra conversa menciona uma sacola que deveria conter dinheiro vivo. Depois da contagem, Ubaldo informou que havia R$ 498,5 mil. Para os investigadores, as mensagens mostram que o grupo mantinha pessoas responsáveis por receber, conferir e distribuir as cédulas.

Disputa por casa chegou ao tribunal do crime

Parte dos investigados também teria recorrido ao PCC para resolver uma briga por uma casa em Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral de São Paulo. A disputa envolvia R$ 2 milhões da venda do imóvel de Cléber para Marcelo de Morais Oliveira.

Sem acordo, o caso foi levado a um tribunal do crime. O celular de Cléber armazenava um grupo de WhatsApp chamado “Assunto Pertinente a casa Riviera”, com uma gravação do julgamento  clandestino.

Antonio Carlos Sampaio, conhecido como Kaka, Dakar ou Compadre, aparece como um dos participantes. Em conversa citada pela investigação, ele teria se colocado à disposição para manter em cativeiro pessoas que tinham desavenças com Cléber.

Leonardo Monteiro Moja, o Léo do Moinho, é descrito como uma liderança relevante do PCC. Além de participar da resolução da disputa, teria recebido transferências feitas pela rede e indicado contas próprias, da esposa e de terceiros.

A investigação também aponta pagamentos destinados a agentes públicos. Cléber teria pedido recursos para “pagar a polícia”. Robson Martins de Souza, por sua vez, teria solicitado R$ 30 mil para “pagar os amigos”, expressão interpretada pelo Ministério Público como referência a policiais.

Odair Alves da Silveira Filho e Bruno Ramos Fernandes são apontados como responsáveis por liberar parte desses valores. O documento também autoriza a extração de dados de computadores usados por policiais civis, além de boletins de ocorrência, livros oficiais, imagens de câmeras e informações de viaturas.

A Justiça permitiu ainda a apreensão de carros avaliados acima de R$ 150 mil, dinheiro em espécie acima de R$ 3 mil, joias, metais preciosos e itens de luxo. Celulares e computadores poderão ser examinados, inclusive com acesso a mensagens, fotos, vídeos e arquivos guardados na nuvem.

Ao decretar as prisões, o juiz citou risco de continuidade dos crimes, destruição de provas, combinação de versões e fuga. A prisão preventiva não representa condenação.

O iG não conseguiu identificar as defesas dos citados, porém, o espaço para manifestação segue aberto. 

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