Houthis dizem ter atacado dois petroleiros sauditas

Houthis controlam áreas próximas ao Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar VermelhoRedação DW

Redação DW

Os rebeldes houthis do Iêmen anunciaram nesta quinta-feira (23/07) ter atingido dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho com mísseis e drones como parte de um bloqueio naval contra a Arábia Saudita.

A ação do grupo pró-Irã compromete a única rota de exportação marítima para o petróleo do Golfo mais próxima da Ásia que restou após a guerra entre Estados Unidos e Teerã estrangular o tráfego no Estreito de Ormuz, e arrisca agravar ainda mais a crise mundial do petróleo.

Trata-se do primeiro ataque dos houthis desde o anúncio do grupo, na segunda-feira, de que imporiam um bloqueio naval à Arábia Saudita, segundo maior produtor de petróleo ao lado da Rússia.

Até agora, fontes sauditas confirmaram danos a uma embarcação.

Enquanto isso, as forças americanas concluíram uma nova rodada de ataques contra o Irã por ordem do presidente Donald Trump, marcando a 12ª noite consecutiva de ofensivas americanas e provocando novas retaliações iranianas.

O Irã, por sua vez, afirmou ter atacado sistemas de mísseis, armamentos e depósitos de combustível dos EUA na Jordânia, além de postos militares americanos no Kuwait, incluindo o Campo Al-Adiri, a Base Aérea Ali Al Salem, o Campo Doha ‌e o Campo Arifjan.

Tráfego no Mar Vermelho já está comprometido

A ação dos houthis no Mar Vermelho está sendo interpretada por alguns analistas como uma manobra tática do Irã para ganhar poder de barganha.

O grupo rebelde controla áreas próximas ao Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, no lado oposto da Península Arábica onde fica o Estreito de Ormuz, pivô da nova escalada entre EUA e Irã.

Bab el-Mandeb é um ponto crucial para a navegação marítima que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden. Cerca de 12% do comércio mundial. Incluindo um quarto do tráfego global de contêineres, passa pelo estreito, parte de uma rota marítima que conecta a Europa e a Ásia pelo Canal de Suez, no Egito.

Mesmo antes das novas ameaças ao tráfego no Mar Vermelho, o bloqueio quase total de Ormuz pelo Irã impulsionou a inflação em todo o mundo, elevando os preços do petróleo. Como consequência, os aliados republicanos de Trump se veem pressionados a poucos meses das eleições legislativas de novembro.

Cinco petroleiros mudaram de rota no Mar Vermelho para evitar o Estreito de Bab el-Mandeb na quarta-feira, e três petroleiros carregados com petróleo saudita destinado à China e à Índia fizeram meia-volta na terça-feira.

Milhões de barris por dia de petróleo saudita têm sido enviados ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, para evitar o Estreito de Ormuz. Se os embarques não puderem passar pelo estreito no sul do Mar Vermelho, restará apenas a rota ao norte, pelo Canal de Suez. O desvio pelo Mediterrâneo tornaria o frete muito mais custoso, acrescentando semanas ao transporte.

A ameaça dos houthis no Mar Vermelho é reconhecida por autoridades americanas do atual governo e de gestões anteriores, que afirmam que um bloqueio naval contra a Arábia Saudita pode ampliar significativamente a guerra no Oriente Médio e sobrecarregar as forças americanas.

Dois superpetroleiros chineses que transportavam, juntos, 4 milhões de barris de petróleo da Arábia Saudita, seguiam em direção ao Estreito de Bab el-Mandeb nesta quinta-feira, segundo dados de navegação.

EUA e Irã trocam ameaças e ataques

Antes da escalada no Mar Vermelho, Trump prometeu na quarta-feira destruir uma ponte ou uma usina de energia iraniana cada vez que o Irã disparasse contra um navio no Estreito de Ormuz.

O direito internacional veta ataques à infraestrutura civil, a menos que ela esteja sendo usada para fins militares.

Em resposta, o comando militar conjunto do Irã advertiu que, se a ameaça de Trump contra a infraestrutura fosse cumprida, as forças iranianas atacariam infraestruturas regionais de petróleo, gás, eletricidade e economia e não permitiriam a exportação de “uma única gota de petróleo”, segundo a mídia estatal iraniana.

Horas depois, a Guarda Revolucionária do Irãrelatou uma explosão no que descreveu como uma rota minada ao sul do Estreito de Ormuz, dizendo que um de três petroleiros pegou fogo enquanto os outros dois retornaram. A Guarda afirmou que o estreito estava sob seu controle e “completamente fechado”, alertando que nenhum petroleiro teria permissão para entrar ou sair sem coordenação com o Irã.

Apesar de os EUA alegarem ter destruído as capacidades militares do Irã, Teerã segue lançando mísseis e drones, tendo atingido nesta semana importantes instalações de dessalinização de água e de energia no Kuwait, além de alvos militares americanos no país e pontos no Bahrein e na Jordânia.

O Irã afirma que tem o direito de controlar o tráfego e potencialmente cobrar taxas em Ormuz, que antes da guerra era aberto a todos e isento de pedágios. O país atacou navios que utilizavam uma rota pelo estreito supervisionada pelas forças americanas.

Em resposta aos ataques iranianos, os Estados Unidos restabeleceram um bloqueio aos portos iranianos e iniciaram uma campanha ampliada de ataques em todo o país.

ra (Reuters, AP)

———

Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro

Autor: Redação DW

Adicionar aos favoritos o Link permanente.