Brasil registra 18 mortes por dia em intervenções policiais

Pelo sétimo ano consecutivo, o Amapá apresentou a maior taxa Reprodução/ Redes Sociais core_pcba

A taxa de mortes decorrentes de intervenção policial no Brasil aumentou cerca de 5,4% em 2025 em relação a 2024. Ao todo, foram registradas 6.602 vítimas no ano, o equivalente a cerca de 18 mortes por dia, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23).

Nos últimos dez anos, as ações policiais resultaram na morte de 60.558 pessoas.

O total registrado em 2025 é o maior da última década. Em 2024, foram contabilizadas 6.237 mortes decorrentes de intervenção policial e, em 2023, 6.455. O gráfico abaixo mostra a evolução desse indicador nos últimos dez anos.

Mortes nos últimos 10 anos por ações policiaisDivulgação/ Secretarias Estaduais de Segurança Pública

Estados com mais mortes por intervenção policial 

Pelo sétimo ano consecutivo, o Amapá apresentou a maior taxa de mortes decorrentes de intervenção policial do país, com 17,1 casos para cada 100 mil habitantes. Em seguida aparece a Bahia, com índice de 10,6 mortes por 100 mil habitantes, totalizando 1.570 pessoas mortas em 2025, número que representa quase um quarto do total registrado no Brasil.

A terceira maior taxa foi registrada em Sergipe, com 8,4 mortes por 100 mil habitantes, seguido pelo Pará, com 7,3 casos. Os quatro estados também estiveram entre os que apresentaram as maiores taxas de letalidade policial em 2024, segundo o levantamento, indicando a persistência de altos índices nessas regiões.

No outro extremo, os estados com as menores taxas de mortes decorrentes de intervenção policial foram Roraima, com 0,4 por 100 mil habitantes; Distrito Federal, com 0,5; Rio Grande do Sul, 0,7; Piauí, 0,9; e Amazonas, 0,9. Todos registraram redução nos índices em comparação com 2024.

A maior variação registrada entre 2024 e 2025 foi em Rondônia, com um aumento de 485,5%. Em 2025, o estado registrou o maior número de pessoas mortas pelas polícias da série histórica, com 47 casos, contra 8 em 2024.

O Maranhão aparece em segundo lugar, com uma variação de 84%, seguido por Alagoas, com 54,6%, e Rio Grande do Norte, com 50,2%.

Os dias com mais mortes

O gráfico abaixo mostra variações que vão de 3 a 46 casos diários no país em 2025. No entanto, houve um pico entre os dias 28 e 29 de outubro, quando foram registradas, respectivamente, 75 e 80 mortes decorrentes de intervenção policial, sendo 58 e 63 apenas no Rio de Janeiro. O aumento ocorreu após a Operação Contenção, realizada no Rio de Janeiro. 

O gráfico abaixo mostra variações que vão de 3 a 46 casos diários no país em 2025Divulgação/ Secretarias Estaduais de Segurança Pública

O terceiro dia com maior número de mortes por intervenção policial em 2025 foi 11 de abril, quando foram registradas 46 mortes em 11 estados diferentes. Diferentemente dos dois primeiros dias de maior letalidade, que estiveram relacionados a um único evento, os casos registrados em abril ocorreram em diferentes ocorrências, com destaque para a Bahia, que contabilizou 16 mortes, e o Pará, com 11 registros.

O perfil das vítimas 

Ainda de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a maioria das pessoas mortas em intervenções policiais é do sexo masculino: os homens representam 97% das vítimas. Em termos proporcionais, a taxa de letalidade policial entre homens foi de 6,19 mortes para cada 100 mil habitantes em 2025, um aumento de 6% em relação a 2024, quando o índice era de 5,83. Entre as mulheres, a taxa foi de 0,04 mortes por 100 mil habitantes em 2025, mantendo-se praticamente no mesmo patamar registrado no ano anterior.

As maiores taxas de mortes decorrentes de intervenção policial estão concentradas entre pessoas de 20 a 29 anos, faixa etária que corresponde a 46% do total de vítimas registradas no Brasil em 2025.

A desigualdade racial também aparece nos dados. Em 2025, a taxa de mortes decorrentes de intervenção policial entre pessoas negras foi de 3,5 por 100 mil habitantes, enquanto entre pessoas brancas o índice foi de 1,0 por 100 mil habitantes. Na prática, a letalidade policial entre a população negra foi 3,5 vezes maior do que entre a população branca. A taxa de mortes por intervenção policial entre pessoas negras cresceu 3,5% entre 2024 e 2025.

A desigualdade racial também aparece nos dadosDivulgação/ Secretarias Estaduais de Segurança Pública

As cidades com maiores índices 

Dos 5.571 municípios brasileiros, 1.354 registraram ao menos uma morte decorrente de intervenção policial. Em números absolutos, as quatro cidades com maior número de vítimas foram Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Curitiba. Juntas, elas representam 11% da população brasileira, mas concentram 19% do total de mortes por intervenção policial.

As dez cidades com as maiores taxas de mortes decorrentes de intervenção policial são: Porto Seguro (BA), Eunápolis (BA), Marituba (PA), Itabaiana (SE), Simões Filho (BA), Jequié (BA), Lauro de Freitas (BA), Luís Eduardo Magalhães (BA), Japeri (RJ) e Macapá (AP).

“Operação Contenção” 

Um dos casos que mais se destacaram em 2025 foi a “Operação Contenção”, considerada a ação policial mais letal já registrada no Brasil. A operação foi realizada em 28 de outubro, no Complexo da Penha, na cidade do Rio de Janeiro.

Mortos na Operação ContençãoArquivo

A ofensiva, que tinha como alvo integrantes do Comando Vermelho (CV), resultou em mais de 130 mortos. Cerca de 2.500 agentes de segurança participaram da ação, que cumpriu aproximadamente 100 mandados de prisão em 26 comunidades da Zona Norte da capital fluminense.

Antes mesmo da identificação dos corpos, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou que todos os mortos eram criminosos e classificou a operação como “um sucesso”.

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