Thereza Alvim: A Professora de Nós Todos

Em tributo e homenagem à Professora Thereza Celina Diniz de Arruda Alvim (1935–2026)Thereza Alvim: A Professora de Nós Todos

No dia 23 de julho de 2026, o Direito brasileiro perdeu uma de suas mais extraordinárias professoras. Partiu a Professora Thereza Celina Diniz de Arruda Alvim. Porém permanece aquilo que a morte jamais alcança: a grandeza de sua obra, a força de seu exemplo e a eternidade de seu legado. Perdemos uma das maiores juristas da história do Brasil. De fato, a Professora Thereza foi uma jurista brilhante, professora incomparável, advogada respeitadíssima e pioneira em um universo jurídico predominantemente masculino. Ela construiu uma belíssima carreira que edificou a própria evolução do Direito Processual Civil e do Direito do Consumidor no Brasil. Lecionou na PUC-SP por mais de meio século, idealizadora do programa de pós-graduação da nossa Faculdade de Direito, procuradora do Estado, fundadora de instituições acadêmicas e responsável pela formação de milhares de advogados, magistrados, membros do Ministério Público e professores que hoje ocupam posições de destaque em todo o país. Seu pioneirismo e suas contribuições foram reconhecidos pelas mais altas autoridades e instituições jurídicas brasileiras, assim como pelos Tribunais nacionais. Hoje estou de luto. E acredito que toda a família jurídica brasileira também. Para mim, esta despedida possui uma dimensão ainda mais profunda. Perco a minha amada orientadora, aquela que, ao lado do inesquecível Professor José Manoel de Arruda Alvim, ajudou a moldar minha formação acadêmica e intelectual e definiu com sua preciosa contribuição quem eu sou. Minha dívida para com ambos é impagável. Meu amor e minha gratidão por eles são infinitos. Foi na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, com vinte e dois anos de idade que tive o privilégio de ser orientado no mestrado por esse magnífico casal de mestres. Foi assim, sob a orientação da Professora Thereza Alvim e do Professor José Manoel de Arruda Alvim, aos vinte e dois anos de idade, que comecei a desenvolver as ideias consumeristas que, anos depois, dariam origem à teoria do Capitalismo Humanista. Desde aqueles primeiros estudos, os professores Thereza Alvim e José Manoel de Arruda Alvim acompanharam, estimularam e lapidaram meu pensamento a partir do direito do consumidor. Jamais os esquecerei. Recordo-me deles, com profunda emoção, sobretudo dos idos dos anos 90. Naquele ambiente científico-acadêmico fervilhante da PUC-SP, se respirava, como se respira até hoje, ciência jurídica da mais elevada qualidade. Ali, ainda hoje, nós, seus discípulos, procuramos ensinar a pensar e elaborar o Direito em altíssimo nível como instrumento de realização da dignidade humana, da Justiça e da cidadania. A Professora Thereza ensinava com firmeza, mas nos acolhia como uma mãe, com generosidade e orientava com rara dedicação. Possuía a extraordinária virtude de fazer a gente acreditar que era capaz de ir além. Ela me disse certa vez que o Capitalismo Humanista emplacou e profetizava sua dimensão mundial. O tempo mostrou a força de sua visão. Não formava apenas juristas. Formava caráter, espírito científico e compromisso ético com o Direito. Em verdade, ao lado do Professor José Manoel de Arruda Alvim, formou um dos mais admiráveis casais da história jurídica brasileira. Esses grandes professores jamais desaparecerão. Continuarão vivos em cada livro que escreveram, em cada aula ministrada, em cada aluno e orientando impactado e em cada decisão judicial influenciada por suas ideias. Querida Professora Thereza, deixo minha última mensagem. Obrigado por me acolher, apoiar e acreditar em mim quando eu ainda iniciava minha caminhada acadêmica. Obrigado pelos ensinamentos, pelas orientações, pelas conversas, pelo exemplo de vida e por me presentear com meus irmãos Didi e Dudu. O Direito brasileiro jamais esquecerá seu nome. Sua voz continuará ecoando nas salas de aula, nos tribunais, nas bibliotecas e no coração daqueles que tiveram o privilégio de aprender com a senhora. Descanse em paz, minha amada professora. Receba minha infinita gratidão, meu eterno tributo e respeito. À querida família Arruda Alvim, especialmente aos meus irmãos Didi e Dudu, deixo meu abraço fraterno, minhas orações e meus mais sinceros sentimentos. RICARDO SAYEG Colunista do iG. Jornalista. Advogado titular da HSLAW, especializado em Special Legal Situations. Jurista Imortal da Academia Brasiliense de Direito e da Academia Paulista de Direito. Professor Livre-Docente de Direito Econômico da PUC-SP e professor do Curso de Recuperação de Empresas do Insper. Doutor e Mestre em Direito Comercial e Pós-Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP. Oficial da Ordem do Rio Branco. Presidente da Comissão de Direito Econômico Humanista do IASP. Presidente da Comissão Nacional Cristã de Direitos Humanos da FENASP. Comandante dos Cavaleiros Templários do Real Arco Guardiões do Graal.

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