
Uma polêmica do meio artístico chegou até um artista gaúcho, conhecido por fazer mapas à mão livre. Giovanni Bocchi, notado pela arte e exposições na Rua Coberta de Gramado (RS), virou alvo de uma recente discussão sobre o “golpe do Carrossel do Louvre”.
O artista se apresenta como único brasileiro que expôs quatro vezes no Louvre, o que foi contestado por outro influenciador, citando o golpe, nas redes sociais. O vídeo publicado pelo artista e influenciador Marco Alvares viralizou e não cita Giovanni em nenhum momento, mas faz uma possível referência ao artista gaúcho: “um grande talento que está escondido no interior de Piraporinha do Sul, que foi resgatado por um francês para expor as suas obras ali no Louvre, do lado da Mona Lisa”. Marco explica que as exposições, das quais Giovanni teria participado, na verdade, não acontecem no Museu do Louvre, mas no Carrossel do Louvre, que não faz parte do museu.
Ele também declara que os custos da exposição, divulgação, viagem e estadia são por conta do artista – o que não caracterizaria o convite a uma exposição, que normalmente seria pago pela empresa ou instituição que fez uma curadoria de artistas.
Assista ao vídeo abaixo:
Marco ainda declara que, ainda que não seja exatamente no museu, a mídia acaba cobrindo e veiculando as exposições que acontecem por conta do golpe. Ele também diz que não culpa as vítimas.
O que diz Giovanni?
Em resposta ao vídeo, Giovanni se defendeu e disse que nunca pagou nada para expor no Louvre. O gaúcho afirma que teve a ida bancada pela Nestlé, em uma promoção do chocolate Kitkat.
Três dias depois, no dia 17 de abril, o artista fez uma publicação de resposta no perfil pessoal. Segundo o vídeo, Giovanni diz que o Museu do Louvre é dividido em quatro partes, sendo que o Carrossel do Louvre fica em uma delas, próximo de um shopping.
Ele explica que, dentre outras atividades, o Louvre possui a exposição central, que é o torna o Museu conhecido, onde estão as exposições históricas de artistas mortos.
Quando artistas vivos ou outras instituições fecham acordos para expor, essas atividades ficariam no Carrossel, aonde ele afirma que expôs.
No entanto, outros comentários sugerem que o Carrossel é independente do Museu do Louvre e é utilizado para convencer artistas a pagarem por exposições em uma “grande ginástica retórica” feita por empresas.
Ainda que o Carrossel só tem “Louvre” no nome por causa da localização, e que o museu sequer expõe obras contemporâneas.
A polêmica dividiu opiniões entre quem acredita que o artista gaúcho conseguiu expor no Louvre, ainda que seja em outro local relacionado, contra quem acredita que ele seja mais uma das vítimas do golpe.
O iG procurou Giovanni e o Museu do Louvre para confirmar as exposições. Até a última atualização, não houve retorno. O espaço segue em aberto.
Entenda o Golpe do Carrossel do Louvre
Conforme as explicações do vídeo e de artistas em redes sociais, o golpe funciona da seguinte forma: uma agência ou empresa convida um artista a expor no renomado museu de Paris. Ela diz que fez uma curadoria de novos talentos mundiais e que selecionou o trabalho do artista.
Contudo, a responsabilidade de arcar com os custos é integralmente do artista “selecionado”. Os custos de uma exposição são muitos, desde divulgação e organização até despesas pessoais, como viagem, estadia, visto, alimentação, etc.
Além disso, essas empresas sequer teriam relação com o Museu do Louvre, e apenas utilizariam o espaço do Carrossel, que, segundo as publicações, é independente do museu, administrado por outra empresa.
Segundo informações do Nexo Jornal, o Carrossel do Louvre seria um shopping subterrâneo, que fica próximo do museu. Ele inclusive possui acesso à área de verdade do cartão-postal parisiense. Tecnicamente, faz parte do Museu, mas é um espaço à parte.
Enquanto o museu foi fundado em 1793, o Carrossel só foi aberto em 1993, e possui um espaço disponível para curadores de artistas alugarem.
As publicações também apontam que os custos seriam muito elevados, e que vão além da viagem: a cobrança acontece para própria participação da exposição. É como ser selecionado para um prêmio que só pode ser entregue após pagamento de uma taxa.


