Eduardo Leite explica por que alertas não previram inundação do Rio Taquari no RS


Rios ultrapassam cota de inundação e mais de 200 pessoas estão fora de casa no RS
Após publicar e apagar um vídeo em que afirmava que o Rio Taquari não superaria a cota de inundação, o governador gaúcho Eduardo Leite (PSD) explicou por que os sistemas de alerta não previram a cheia que invadiu cidades no Rio Grande do Sul.
Nesta sexta-feira (24), em coletiva em Lajeado, Leite foi questionado sobre o tema. Ele admitiu que o governo do estado precisa melhorar a comunicação dos alertas e apontou defasagem dos sistemas.
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“Temos que ter melhor clareza na comunicação. Mesmo que os estudos apontem algum tipo de não atingimento da cota, como foi esse caso, há que se ter maior clareza de que esses dados são muito dinâmicos. Na ocorrência de um evento, se altera rapidamente o quadro em função do volume de chuvas. Se chover 100 milímetros ou 150mm, se chover em 6 ou em 12 horas, se chover em 30 quilômetros para lá ou para cá, muda completamente a resposta hidrológica nesses rios”, disse.
Na terça-feira (21), o governador publicou em uma rede social um vídeo no qual afirmava que o Rio Taquari não atingiria a cota de inundação.
“Nos ensaios feitos para os diversos pontos do Taquari, ele deve superar a cota de alerta, mas não chega, nessas projeções, à cota de inundação. Claro que essas informações podem alterar, mas neste momento não há previsão de cota de inundação no Taquari”, disse, em publicação que foi posteriormente deletada.
O Rio Taquari ultrapassou a cota de inundação ainda no início da manhã de quarta-feira (22). Imagens de drone mostram a água avançando em ruas de municípios como Lajeado, na Região dos Vales.
“Talvez o que tenha acontecido tenha sido uma defasagem, uma superação dos dados que alimentavam os modelos quando foram apresentados, o que gerou aquela confirmação de que não haveria inundação e depois esses dados acabaram sendo superados”, afirmou Leite nesta sexta.
O governador explicou que, na terça-feira (21), um conjunto de diferentes modelos de previsão apontava que o rio não atingiria a cota de inundação.
“O que nós tivemos na terça-feira foi uma coincidência da informação desses dados da Defesa Civil do estado com a do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do IPH (Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS), que apontavam que não chegaria na cota de inundação. A informação sempre teve a ressalva de que poderia haver novos dados. E quando houve a alteração desses dados, imediatamente a Defesa Civil foi acionada para que pudessem ser retiradas as pessoas das áreas de risco, que é o que foi feito”, declarou Leite.
Rios cheios e mais chuva
Leite também comentou sobre a preparação do Executivo para enfrentar novo volume de chuvas que deve cair sobre o Rio Grande do Sul na próxima semana.
“Agora, temos os rios mais elevados e vamos ter mais cerca de 100, 120 milímetros potencialmente na terça-feira (28). Quadruplicamos e colocamos a equipe da Defesa Civil em campo, temos equipamentos e estamos em contato com as prefeituras, que também se prepararam para proteger as pessoas”, afirma.
O governador ressaltou que os modelos variam e que a precisão aumenta conforme a proximidade do evento.
“Os modelos não são claros ainda, não são convergentes. É importante mais uma vez salientar isso. A previsão meteorológica se altera. Conforme vai chegando mais próximo, há maior convergência entre modelos matemáticos que consideram todas as variáveis que interferem no clima e elas vão ser atualizadas”, avisa.
Eduardo Leite, governador do RS
Reprodução/RBS TV
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