
Imagem aérea da periferia de Campinas
Reprodução/EPTV
Uma pesquisa realizada com 600 jovens de Campinas (SP) aponta que a crise climática afeta diretamente os planos de vida das novas geração.
Segundo o levantamento, 58% dos entrevistados afirmam que as mudanças no clima influenciam suas expectativas para o futuro e 34% passaram a repensar o desejo de ter filhos por conta deste cenário.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp
O diagnóstico faz parte do projeto Juventudes, Raça e Mudanças Climáticas em Campinas (Jucamp). O estudo revela que os efeitos do clima são percebidos no dia a dia, prejudicando a infraestrutura urbana e a mobilidade. Entre os principais impactos na rotina:
75% sofrem com falta de energia elétrica durante ventanias;
73% enfrentam dificuldades para se locomover de ônibus em dias de chuva forte;
70% relatam quedas de internet provocadas por eventos climáticos;
69% percebem prejuízos no desempenho escolar ou profissional;
69% frequentemente faltam ou se atrasam para compromissos devido a tempestades ou calor extremo.
Clima e desigualdade
Para os organizadores do levantamento, os dados evidenciam que a crise climática está associada à falta de infraestrutura, especialmente nas áreas mais vulneráveis da metrópole.
A pesquisa aponta que 68% dos entrevistados acreditam que pessoas pobres e ricas sofrem os efeitos das mudanças climáticas de forma diferente.
A coordenadora de projetos da organização “Em Movimento”, Iasmim Vieira, afirma que a falta de estrutura transforma o clima em um obstáculo para o desenvolvimento.
“A ausência de climatização nas escolas e as constantes quedas de serviços básicos como energia e internet, comuns em dias de ventania, por exemplo, comprometem o rendimento de quem tenta estudar ou trabalhar nas periferias”, explica.
Contrastes por região
A percepção dos impactos varia conforme o bairro de moradia. Na região Norte, que abrange distritos como Barão Geraldo, os jovens registram os maiores índices de impacto na saúde mental, nos estudos e nas expectativas de futuro.
Já os moradores da região Noroeste são os que mais apontam interdições de vias devido a enchentes e alagamentos frequentes. A diretora socioeducativa da Fundação Feac, Lina Pimentel, destaca a importância dos dados.
“Esse levantamento é essencial para que, a partir dos dados e das informações de quem vive a cidade, possamos pensar e propor ações para que as regiões mais vulneráveis não sejam as mais afetadas pelos eventos climáticos”, avalia.
VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região
Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.
