
Mais da metade dos brasileiros acredita que o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump ao Brasil busca beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Segundo pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (26), 52% dos entrevistados veem essa intenção nas medidas dos Estados Unidos.
Outros 37% afirmaram que o governo estadunidense não age para favorecer o senador, enquanto 11% não souberam responder. Ao mesmo tempo, 74% defendem que o Brasil negocie uma saída para a crise, sem retaliar os produtos dos Estados Unidos.
O levantamento ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 cidades, na quarta-feira (22) e na quinta-feira (23). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-01166/2026.
Entre os entrevistados que declaram voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 73% avaliam que Trump tenta favorecer Flávio. A mesma percepção aparece entre 29% dos eleitores do candidato do PL.
A maioria dos entrevistados já tinha algum conhecimento sobre as tarifas. O Datafolha apontou que 63% estavam familiarizados com o assunto. Desse grupo, 25% disseram estar bem informados e 34%, razoavelmente informados.
Eleitores dividem responsabilidade pela crise
A pesquisa tambm apresentou aos entrevistados as versões defendidas por Lula e Flávio Bolsonaro.

Para 34%, Lula está certo ao responsabilizar o adversário pelas tarifas. Outros 26% concordam com Flávio, que acusa o governo brasileiro de falhar nas negociações com Washington.
Há ainda 24% que dizem que nenhum dos dois está certo. Para 11%, ambos têm razão, e 6% não souberam responder.
Quando a pergunta trata diretamente da responsabilidade pela punição comercial, 35% apontam Lula. Trump é citado por 28%. Flávio aparece com 13%, enquanto o irmão dele, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), é responsabilizado por 10%. Outros 10% não responderam.
O desempenho do governo brasileiro nas conversas com os Estados Unidos também foi avaliado. Para 51%, Lula fez menos do que poderia. Outros 29% consideram que o presidente agiu corretamente, e 12% dizem que ele fez mais do que deveria.
Apesar das críticas, somente 17% defendem uma retaliação produto por produto. Outros 2% afirmam que o Brasil deveria aceitar as tarifas impostas pelos Estados Unidos. A posição majoritária é pela continuidade das negociações.
Governo e disputa presidencial seguem estáveis
A crise comercial ainda não alterou de forma significativa a avaliação do Governo Federal. O Datafolha mostra que 38% consideram a gestão Lula ruim ou péssima. Outros 32% avaliam o governo como ótimo ou bom, enquanto 28% o classificam como regular.
Os índices repetem os resultados registrados nas pesquisas de maio e junho. No primeiro tarifaço, em 2025, a defesa da soberania nacional ajudou Lula a melhorar a aprovação nos meses seguintes. Essa reação ainda não apareceu após a nova rodada de tarifas.
A corrida presidencial também permanece estável. Em uma simulação de segundo turno, Lula tem 48% das intenções de voto, contra 43% de Flávio Bolsonaro. Brancos, nulos ou nenhum somam 9%, e 1% não respondeu.
No primeiro turno, o presidente aparece com 40%, e Flávio, com 32%. Os demais candidatos ficam abaixo de 4%. A comparação com a pesquisa anterior é limitada porque o Datafolha alterou a lista de nomes apresentada aos eleitores.
Novas tarifas atingem exportações brasileiras
Os Estados Unidos anunciaram, no dia 15 de julho, uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. A cobrança entrou em vigor na quarta-feira (22), com exceções para itens como café, carne bovina, suco de laranja e componentes de aeronaves.
Segundo o governo brasileiro, a medida alcança cerca de 3.000 produtos e afeta aproximadamente 18% das exportações destinadas ao mercado estadunidense, o equivalente a US$ 7,4 bilhões com base nos dados de 2024.
Washington justificou a cobrança com acusações de práticas comerciais desleais. Entre os pontos questionados está o Pix, sistema de pagamentos administrado pelo Banco Central. No dia em que a primeira tarifa entrou em vigor, os Estados Unidos acrescentaram outra cobrança de 12,5% ligada a uma investigação trabalhista.
Com a sobreposição das medidas, as taxas aplicadas aos produtos brasileiros variam de 12,5% a 37,5%. Lula classificou as cobranças como injustas e afirmou que elas poderão aumentar preços para consumidores estadunidenses e levar empresas brasileiras a buscar fornecedores em outros países.
O governo brasileiro afirma que mantém os canais de negociação abertos. Também iniciou os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e avalia recorrer à Organização Mundial do Comércio, mas ainda não anunciou quais produtos dos Estados Unidos poderiam ser atingidos por uma eventual resposta.
