
Em meados da década de 1950, no interior de São Paulo, um teste científico e um incidente revolucionou a criação racional de abelhas nacionais, repercutindo em escala global. O surgimento dessa espécie africana tem raízes fortes da ciência brasileira, numa tentativa legítima de melhorar a produção agrícola no país.
Tudo começou no ano de 1956, quando o famoso geneticista brasileiro Warwick Estevam Kerr assumiu oficialmente a missão de descobrir alternativas que melhorassem a produção de mel em regiões quentes e com clima abafado, já que as abelhas européias inseridas anteriormente em solo tupiniquim, sofriam os efeitos da temperatura elevada, apresentando fragilidade e baixa produtividade.
Segundo informações do The Economic Times, o especialista era socialista e se autodeclarava socialista e buscou em específico, ajudar agricultores brasileiros pobres do Brasil. A ideia de Kerr era simples e ambiciosa: combinar a espécie de abelha européia com a conhecida e temida variação africana, a Apis Melligera Scutellata, que eram conhecidas por sua alta produção e resistência.
Da África do Sul para Rio Claro (SP)
O experimento de Kerr criou corpo em uma estação de pesquisa no município de Rio Claro, no interior de São Paulo, no ano de 1956. Ele importou 63 abelhas da África do Sul e da Tanzânia com o objetivo claro de criar uma espécie híbrida adaptada ao clima brasileiro e mais produtiva.
Só que um erro interrompeu o experimento em outubro de 1957, quando um apícultor visitante removeu as telas de continhas as abelhas rainhas, acarretando na “fuga” de 26 rainhas do tipo africano para a mata nos arredores, dando início a uma colonização natural desenfreada.
O incidente gerou forte impacto e apreensão na época aos apicultores locais que foram forçados a reestruturar rapidamente o manejo dos enxames que surgiam que apresentavam características .
De aparente erro irreversível, a falha gerou espécies naturalmente híbridas, as chamadas abelhas africanas ou afrizanizadas que apresentavam resistência ao clima e alta produção de mel, no clima tropical brasileiro, objetivo principal de Kerr com o toque pessoal da natureza.
A dinâmica da nova “fama”
As abelhas africanizadas são conhecidas pelas características agressivas, comportamento hostil, “desapego” ao ninho e indomáveis para apicultores comerciais, além de apresentarem picada dolorosa, dada a herança genética das abelhas trazidas da África.
Intituladas como “abelhas assassinas”, a espécie “invasora”, naturalmente desenvolvida no Brasil não são originalmente letais por conta do veneno. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Universidade da Flórida (UF/IFAS), o perigo está na forma como atacam: agem ao mesmo tempo e na igual intensidade que defendem suas colônias.
O legado dessa história fincado no país elevou o status da produção de mel brasileiro para um dos principais do mundo. As abelhas africanas ou africanizadas transformou a apicultura nacional mesmo com a má fama de “assassinas”, ganhando notoriedade por ser uma espécie de inseto invasor altamente produtivo.
