
A convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência pelo Partido Liberal chama mais atenção pelas ausências do que pelos discursos de corpo presente. Mesmo que, nesta segunda categoria, esteja um raivoso Javier Milei cumprindo o papel de emissário de Donald Trump.
Jair Bolsonaro, o arquiteto da candidatura, está preso e incomunicável porque, na última eleição, contestou o resultado das urnas, liderou uma tentativa de golpe de Estado e agora está preso e incomunicável para não tentar uma nova rebelião.
O irmão Eduardo foi para os Estados Unidos conspirar contra o próprio país e pressionar o governo e o Judiciário brasileiros com lobbies em defesas de tarifas e outras sanções a empresários e autoridades brasileiras. Não pode pisar aqui para não ser preso.
O irmão que sobrou tem, no palco, a mesma presença de espírito de uma morsa atropelada.
Flávio tinha mesmo de recorrer aos amigos estrangeiros. São eles mesmo que vão governar o país em caso de vitória.
Ela está um pouco mais distante desde que ele decidiu escantear a madrasta, Michelle Bolsonaro, das decisões sobre alianças nos planos estaduais. Depois dos vídeos em que escancarou as humilhações do enteado, a ex-primeira-dama gravou um vídeo monocórdico em defesa da candidatura do Zero Um, citado por ela uma única vez – para um protocolar desejo de sorte, como um tchau e bença. Ao menos enviou uma representante em papelão instalada no corredor de quem passava pelo centro de convenções.
Quem esteve por lá relatou um clima de velório durante o evento. Flávio larga com dois pés no crime eleitoral. O uso de um vídeo do pai incomunicável feito por Inteligência Artificial (uma proibição dupla) e a interferência de um chefe de Estado estrangeiro em questões internas.
A convenção serviu também para Flávio rasgar a fantasia de filho moderado da família golpista e plantar novas sementes de novas turbulências caso o clã seja derrotado mais uma vez.
