Goiás soma quase 660 incêndios florestais e decreta emergência

incêndio na Chapada dos Veadeiros, em GoiásICMBio

Goiás registrou 658 incêndios florestais entre 1º de janeiro e 24 de julho de 2026, segundo dados do Corpo de Bombeiros Militar. Desse total, 626 ocorrências atingiram áreas públicas ou particulares e outras 32 foram contabilizadas em áreas protegidas. Os números são o principal recorte do decreto de emergência ambiental publicado pelo Governo de Goiás na edição suplementar do Diário Oficial do Estado de sexta-feira (24). A medida terá vigência inicial de 120 dias e busca reforçar a prevenção e o combate aos incêndios durante o período mais crítico da estiagem.

O Decreto nº 10.962 suspende o uso do fogo em vegetação em todo o estado entre 1º de julho e 31 de outubro de 2026. O período coincide com a fase de maior risco de propagação das chamas, provocada pela baixa umidade, pela ausência prolongada de chuvas e pelo ressecamento da vegetação.

Segundo o segundo-tenente Igor, especialista em incêndios florestais do Corpo de Bombeiros, os 658 registros não incluem ocorrências em vegetação classificadas administrativamente como incêndios urbanos.

A distinção ocorre porque focos registrados dentro das cidades, mesmo quando atingem áreas de mata ou vegetação, podem entrar na categoria de incêndio urbano. O oficial citou como exemplo ocorrências em áreas verdes inseridas no perímetro urbano, que não integram a estatística específica de incêndios florestais.

Operação entra na fase de resposta

O Corpo de Bombeiros divide a Operação Cerrado Vivo em etapas de prevenção, preparação e resposta. As primeiras ações são concentradas entre janeiro e junho. A partir de julho, a operação entra na fase de resposta, com ampliação de equipes, brigadistas e bases em áreas consideradas estratégicas.

“De julho a dezembro é o nosso período de resposta, quando colocamos militares, brigadistas e parcerias com outros órgãos para atuar”, explicou o tenente.

A estrutura inclui bases e equipes em municípios e regiões próximas a parques e unidades de conservação, especialmente no Norte e no Nordeste goiano. Entre os locais citados pelo oficial estão Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante, Nova Roma, Teresina de Goiás, Colinas do Sul, Serra Dourada e a região do Parque Estadual do Araguaia.

Segundo ele, brigadistas formados em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável já estão em atuação. O efetivo deverá ser ampliado conforme aumentar a demanda durante os meses mais secos.

Segundo semestre concentrou 81% dos casos em 2025

A declaração de emergência foi publicada às vésperas do período que historicamente registra a maior quantidade de incêndios em Goiás.

Em 2025, o Corpo de Bombeiros contabilizou 12.045 ocorrências relacionadas a incêndios florestais e em vegetação. Desse total, 9.736 casos, ou 80,8%, ocorreram no segundo semestre.

Entre janeiro e junho, foram registrados 2.309 atendimentos, equivalentes a 19,2% do total anual. Já entre julho e dezembro, o número foi 7.427 ocorrências maior e ficou 321,7% acima do primeiro semestre.

Na prática, a quantidade registrada nos últimos seis meses do ano foi aproximadamente 4,2 vezes maior do que a contabilizada no primeiro semestre.

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