Vídeo mostra tatu-canastra cavando toca durante o dia em MS; veja momento raro


Vídeo mostra tatu-canastra cavando toca durante o dia em MS; veja momento raro
O avistamento raro de um tatu-canastra surpreendeu trabalhadores rurais em Camapuã. O animal foi filmado enquanto cavava uma de suas tocas durante o dia, um comportamento incomum para a espécie, que tem hábitos predominantemente noturnos. Veja o vídeo acima.
O trabalhador rural que fez as imagens contou ao g1 que ficou impressionado com a cena. Segundo ele, encontros com o maior tatu do mundo são raros, principalmente durante o dia.
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“Foi algo incrível, porque muitas pessoas nunca terão a oportunidade de ver um tatu-canastra daquele jeito”, relatou.
Segundo o trabalhador, quem atua em áreas de mata costuma encontrar animais silvestres, como antas, queixadas e outras espécies de tatu. Mesmo assim, o tatu-canastra é visto com pouca frequência.
“Quase sempre avistamos animais, porque trabalhamos no campo. É super normal ver outras espécies, mas um tatu-canastra assim é bem difícil.”
Sobre a espécie
O tatu-canastra é o maior tatu do mundo. O animal pode pesar até 50 quilos e medir cerca de 1,60 metro de comprimento. Além do tamanho, a espécie tem papel importante para o equilíbrio ambiental e é considerada essencial para a conservação dos ecossistemas.
Atualmente, o tatu-canastra é classificado como vulnerável à extinção e corre risco de desaparecer em partes de Mato Grosso do Sul e de outros países da América do Sul.
Avistamento raro de um tatu-canastra surpreendeu trabalhadores rurais em Camapuã
Arquivo Pessoal
“Engenheiro do ecossistema”
O tatu-canastra também é conhecido como “engenheiro do ecossistema”. O apelido foi dado por pesquisadores porque as tocas escavadas pelo animal beneficiam diversas espécies.
O biólogo Gabriel Massocato, coordenador das ações de campo do Projeto Tatu-canastra no Pantanal, explica que essas galerias funcionam como abrigo para diversas espécies do Pantanal e do Cerrado, protegendo os animais das variações de temperatura.
“Os animais buscam se refugiar embaixo de uma sombra, mas, quando encontram uma toca de tatu-canastra, podem se abrigar na areia fresca em frente à entrada ou nas profundezas da toca, onde a temperatura permanece estável em torno de 24°C”, explica.
O termo “engenheiro do ecossistema” é usado para espécies que modificam o ambiente e ajudam outros animais por meio das estruturas que constroem.
Segundo Massocato, as tocas costumam ser abertas em áreas de floresta, onde a temperatura já é mais amena. Elas têm cerca de 1,5 metro de profundidade e podem chegar a 4 metros de comprimento, alcançando camadas mais frias e úmidas do solo. Isso ajuda a manter a temperatura estável durante todo o ano.
Nos dias frios, as tocas também ajudam a conservar o calor. Segundo pesquisadores, essa estabilidade de temperatura foi confirmada após a instalação de termômetros no interior das galerias.
“As tocas são tão grandes que a entrada pode ter quase o dobro da circunferência da cabeça de uma pessoa. Dependendo do tipo de solo e da idade da toca, essa abertura pode aumentar naturalmente”, afirma o pesquisador.
Como outros animais se beneficiam?
No Pantanal, um tatu-canastra escava, em média, uma nova toca a cada três dias. Com o tempo, o animal forma uma rede de abrigos em um território que pode chegar a 2.500 hectares.
“O tatu precisa mudar de toca para buscar alimento, fugir de predadores e se reproduzir. As galerias abandonadas acabam servindo de abrigo para outras espécies”, explica Massocato.
Levantamentos do Projeto Tatu-canastra já registraram mais de 100 espécies de vertebrados e cerca de 300 espécies de invertebrados usando essas tocas.
Jaguatiricas, cachorros-do-mato, roedores, aves, serpentes e anfíbios usam as galerias para se proteger do calor e do frio. Já animais maiores, como tamanduás-bandeira e queixadas, costumam descansar na areia fresca em frente às tocas, aproveitando a sombra das árvores.
Além de servirem como abrigo, as tocas também funcionam como áreas de alimentação. Muitos insetos vivem nesses locais e atraem diferentes predadores.
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