Sinais de que Trump já intervém na eleição brasileira são claros

Trump faz post com foto ao lado de Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, em rede socialReprodução Truth Social/Donald Trump

Leio por aí que o entorno do presidente Lula (PT) desconfia que Donald Trump e seus sabujos, como Javier Milei, vão fazer de tudo para interferir nas eleições brasileiras em outubro.

Ah, vá? Será mesmo?

Vamos por partes. Flávio Bolsonaro (PL) oficializou a candidatura ao Planalto ao lado de um presidente argentino. Ele veio até aqui para xingar o atual mandatário, desenhar um futuro tenebroso em caso de reeleição, e ainda chamar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de “lixo careca”.

Isso é inédito até para os padrões da extrema-direita.

Trump até ensaiou uma aproximação com Lula, mas foi convencido pelo secretário de Estado Marco Rubio que melhor do que negociar com um líder estrangeiro é se apossar de vez de tudo o que um país tem a oferecer, sem intermediários. Tudo, no caso, são minerais de terras-raras, território livre para big techs (as vias desobstruídas dos planos da extrema-direita global), ausência de concorrência às bandeiras de cartões de crédito norte-americanas, petróleo, etc. Tudo.

Com Lula eleito, a secretaria de Estado norte-americana teria dificuldade de avançar em tudo o que quer por aqui. Com Flávio, já ouve coisas como “me ajude aí a tirar meu pai da cadeia e amanhã tudo isso será seu”.

Milei é só um preposto da turma que veio aqui mostrar que não é de bom tom atacar um governo amigo, principalmente quando você é visitante do país. Mas que, se quiser, pode, sim.

A gestão Trump sonha com uma região livre da influência chinesa e com acesso livre a recursos minerais e acordos comerciais que só favoreçam o peixe grande. Como num jogo de tabuleiro, a turma já abocanhou peças e empilhou aliados no Chile, na Colômbia, no Peru, no Paraguai e, claro, na Argentina. Na Venezuela, diante da resistência, perdeu a paciência e resolveram a parada içando o presidente da cadeira na marra.

Falta uma peça, a mais vistosa do tabuleiro. Trump já joga com sanções comerciais e sobretaxa a exportadores brasileiros. Já disse e autorizou os amigos de cá a dizer que a eleição está sob suspeita porque as urnas eletrônicas são falhas. É a casca da serpente golpista quebrando um pouco a cada dia. O processo está registrado até na foto do republicano ao lado de Flávio, Eduardo e Paulo Figueiredo, trinca responsável por conspirar contra o Brasil nos Estados Unidos.

Mas só agora a coordenação da pré-campanha de Lula à reeleição parece se tocar de que talvez, só talvez, a gangue liderada por Trump está interessada a interferir nos rumos das eleições.

A pergunta não é se isso vai acontecer. É quando vai parar. Ao que tudo indica, não será ao fim da votação.

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