Carro que derrubou teto de pedágio em Campinas estava a pelo menos 140 km/h, diz físico da Unicamp


O carro que destruiu a cobertura de um pedágio na Rodovia Adhemar de Barros (SP-340), em Campinas (SP), trafegava a pelo menos 140 km/h antes da colisão. A conclusão é de uma análise quadro a quadro feita por um físico da Unicamp a partir das imagens das câmeras de segurança.
O acidente aconteceu às 9h50 do último domingo (26) e causou a morte do motorista Daniel Carlos Santos de Oliveira, de 24 anos. Quatro cabines da praça de pedágio do quilômetro 123 continuavam interditadas nesta terça-feira (28) para obras de reconstrução da estrutura.
De acordo com o professor Leandro Tessler, especialista em análise de deslocamento de sólidos da Unicamp, o veículo de uma tonelada reduziu a velocidade pela metade ao frear antes do impacto.
“Ele estava entre 135 e 145 km por hora, mais ou menos 140. E dá para ver que ele está freando, ele está reduzindo a velocidade. A velocidade se reduz de forma que, na hora que ele decola, ele está a mais ou menos 70 km por hora. Ele perde metade da velocidade freando”, explicou Tessler.
GIF – Câmera flagra momento em que carro derruba teto de pedágio em Campinas; motorista morreu
Reprodução/EPTV
Rampa fez carro ‘voar’
O físico detalhou que o carro atingiu a mureta de concreto da praça, que funcionou como uma rampa de decolagem devido ao formato.
“Não é uma rampa, na verdade é uma cunha de contenção com o objetivo de devolver um carro que esteja fora de caminho. Só que a ponta dela, para a infelicidade ou para o projeto, é uma cunha com ângulo de mais ou menos 40 graus”, afirmou o professor.
Segundo Tessler, a estrutura foi a responsável por projetar o veículo para o alto.
“Se não tivesse nada pelo caminho, ele voaria até uns 8 metros de altura. Só que aos 4 metros e meio ele encontra a viga. E aí ele bate na viga, perde velocidade para a viga, perde a energia que ele trazia para a viga, quebrando essa viga e cai”, complementou.
O especialista destacou que o impacto gerou uma força extrema sobre o corpo do condutor: “É uma aceleração a que nenhum ser humano sobrevive sem preparação.”
“Praça de pedágio não é um lugar onde os carros devem se aproximar em alta velocidade. O motorista certamente estava errado, claro, isso não tem a menor dúvida. É chato a gente falar disso, mas ele não podia se aproximar de uma praça de pedágio nessa velocidade. Muita sorte ele não ter atingido outros carros e a própria cabine de pedágio”, concluiu o físico.
Inclinação e velocidade: como mureta de pedágio virou rampa e lançou carro contra cobertura no interior de SP
Jorge Talmon/EPTV
Susto para outros motoristas
No momento do desabamento, dois motoristas passavam pelas cabines 16 e 17 e pagavam a tarifa. O teto, que estava a mais de 6 metros de altura, segundo a concessionária, caiu sobre os veículos, mas ninguém ficou ferido.
O funcionário público José Sampaio estava entregando o cartão de pagamento à atendente quando a cobertura desabou. Segundo ele, o carro que provocou o acidente derramou óleo e espalhou destroços pela pista.
“Repentinamente veio um barulho intenso atrás e eu vi um telhado desabando sobre o meu carro, o carro coberto de óleo. Aí fomos verificar depois que tinha um carro que tinha voado por cima do nosso”, disse.
Carro ‘voa’ e atinge teto de praça de pedágio em Campinas; veículo de testemunha ficou coberto de óleo
Reprodução/EPTV
O que foi apreendido no carro
Dentro do veículo de Daniel, os policiais encontraram:
um isqueiro e quatro cigarros;
uma garrafa de rum;
uma lata de cerveja vazia;
um copo térmico;
uma garrafa de refrigerante quase vazia;
um tubo plástico vazio, conhecido como eppendorf.
O caso foi registrado como homicídio culposo (quando não há intenção de matar) na direção de veículo automotor e é investigado pela Polícia Civil.
O velório e o sepultamento de Daniel ocorreram na manhã desta terça-feira (28), no Cemitério Municipal de Jaguariúna (SP).
Infográfico mostra mapa onde carro bateu em teto de pedágio em Campinas; motorista morreu
Arte/g1
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