
Mulher trans presa por atacar homem com facão no MA viraliza nas redes sociais
Vídeos de entrevistas concedidas por uma mulher trans presa por suspeita de tentativa de homicídio em Bacabal, a 240 km de São Luís, viralizaram nas redes sociais. Nas gravações, ela afirma que atacou um homem com golpes de facão após ele e a companheira terem ameaçado e agredido sua mãe (assista acima).
Os vídeos, que circulam nas redes sociais, foram gravados após a prisão e não registram o momento do ataque. Em uma das entrevistas, Maria Clara afirmou não se arrepender do crime.
“Não, eu não tô arrependido, não. Eu arrependi porque eu não matei. Se eu tivesse matado, ia ficar melhor”, disse.
Nos vídeos ela declarou ainda que pretende matar o casal caso deixe a prisão, alegando que eles também teriam denunciado à polícia um ponto de venda de drogas que seria ligado a ela.
Maria Clara foi presa na noite de sábado (25) e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva na segunda-feira (27). As declarações feitas por ela em vídeos foram citadas pela Justiça como um dos motivos para a manutenção da prisão, após ela afirmar que pretendia matar as vítimas caso deixasse a prisão.
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A mulher trans Maria Clara foi presa na noite de sábado (25) e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva na segunda-feira (27).
Reprodução/Redes sociais
A tentativa de homicídio
Segundo consta na decisão judicial à qual o g1 teve acesso, a investigação preliminar aponta que a confusão começou depois que uma mulher, identificada como Yasmin de Sousa Pereira, teria atingido Antônia de Souza, mãe de Maria Clara, com um pedaço de madeira. Em seguida, Maria Clara teria avançado contra Yasmin com um facão.
José Ferreira da Silva Neto, companheiro de Yasmin, interveio para defendê-la e, segundo a decisão, passou a ser o alvo direto dos golpes. Ele foi atingido no antebraço direito e na mão esquerda e sofreu um corte profundo, lesão em um tendão e perda de tecido.
José Ferreira foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado ao Hospital Regional Laura Vasconcelos, onde passou por uma cirurgia de emergência. O estado de saúde dele não foi informado.
Briga foi registrada por drone da Polícia Militar
O caso aconteceu em um imóvel conhecido como prédio da antiga Coca-Cola, no Centro de Bacabal. Segundo o capitão Brito, da Polícia Militar, um drone do 15º Batalhão sobrevoava a região por causa de um evento realizado nas proximidades quando registrou a briga. Após a identificação da ocorrência, uma equipe foi enviada ao local.
Quando os policiais chegaram, encontraram Antônia de Souza com um ferimento na cabeça. Maria Clara foi presa no local, e o facão que teria sido usado no crime foi apreendido.
Entrevistas viralizaram após a prisão
Em uma das gravações, feita durante a chegada à delegacia, Maria Clara é abordada pelo repórter Samuel David, do portal Meu Bixim. Inicialmente, ela afirma que não concederia entrevista e que só falaria sobre o caso com o delegado e o advogado.
“Você não resolve nada”, disse.
Ao ser questionada sobre o motivo da prisão, Maria Clara responde: “Tentativa de homicídio”. Em seguida, diz que atacou a vítima porque a mulher de José Ferreira teria ferido sua mãe. A presa ainda declarou que pretende matar o casal.
Além de confessar a tentativa de homicídio e afirmar que tinha a intenção de cometer um duplo homicídio, Maria Clara declarou ainda que traficava drogas, após ser questionada se a mãe dela era responsável pela venda de entorpecentes.
“Minha mãe não vende, quem vende sou eu. Ela (Yasmin) tentou derrubar minha casa, mas não conseguiu, porque eu joguei a droga fora… Eu vou matar ele e ela (José e Yasmin), vou matar os dois. ‘Cagueta’ tem que morrer”, declarou.
As falas de Maria Clara repercutiram nas redes sociais após a divulgação dos vídeos. Usuários afirmaram, com humor, que o advogado da presa teria dificuldades em defender ela.
Mulher trans presa por atacar homem com facão no MA viraliza com declarações sobre crime
Reprodução/Redes sociais
As declarações feitas nos vídeos foram citadas na decisão que converteu a prisão em flagrante em preventiva. Segundo o juiz, os vídeos indicam risco à integridade física de José Ferreira e Yasmin caso Maria Clara fosse colocada em liberdade.
“A segregação (prisão) cautelar revela-se indispensável à garantia da ordem pública e ao resguardo da incolumidade (preservação) física da vítima, com vias a prevenir a prática de novas condutas violentas, mormente, em face das provas (áudios e vídeos) juntados aos autos, que atestam a existência de promessa de mal injusto e grave à vítima e sua companheira/esposa, pela custodiada, em caso de concessão de liberdade provisória”, destacou o juiz João Bruno Farias Madeira na decisão.
Prisão preventiva
Durante a audiência de custódia, o Ministério Público do Maranhão (MP-MA) pediu que a prisão em flagrante fosse convertida em preventiva. A defesa solicitou o relaxamento da prisão ou, alternativamente, a concessão de liberdade provisória com medidas cautelares.
O juiz homologou o flagrante e decretou a prisão preventiva. Na decisão, o magistrado considerou a gravidade das lesões, a necessidade de cirurgia, as ameaças registradas nos vídeos e o risco de novos crimes.
Segundo a decisão, Maria Clara possui duas condenações anteriores e responde a outra ação penal ainda em andamento. Para o juiz, medidas cautelares diversas da prisão seriam insuficientes para proteger José Ferreira e Yasmin e garantir a ordem pública.
Maria Clara permanece presa preventivamente. A Polícia Civil continua investigando as circunstâncias do ataque e deverá concluir o inquérito antes de encaminhar o caso ao Ministério Público.
