
Jovem que bebeu gin adulterado com metanol completa 50 dias em coma na Grande SP
Rafael Anjos Martins, de 28 anos, completa 50 dias em coma nesta segunda-feira (20) após ingerir gin adulterado comprado em uma adega na Cidade Dutra, Zona Sul de São Paulo. Desde 1º de setembro, quando foi diagnosticada a intoxicação por metanol, ele depende de ventilação mecânica e não apresenta fluxo sanguíneo cerebral.
O laudo médico de Rafael constatou que seu corpo tinha 155 mg/l de metanol. Médicos consultados pelo g1 afirmam que, com valores acima de 100 mg/l, é grande a chance de entrar em coma profundo, ter lesão cerebral extensa e até mesmo chegar à morte.
Rafael está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital de Osasco, na Grande São Paulo. Um inquérito policial foi aberto para investigar o caso. No local, foram apreendidas as duas garrafas consumidas e outras 14 lacradas, que foram encaminhadas à perícia.
🔍 O metanol é um álcool usado industrialmente em solventes e outros produtos químicos. É altamente perigoso quando ingerido. Inicialmente, ataca o fígado, que o transforma em substâncias tóxicas que comprometem a medula, o cérebro e o nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e até morte. Também pode provocar insuficiências pulmonar e renal.
Crescem os casos graves de intoxicação por bebidas contaminadas com metanol em São Paulo
A mãe, Helena Martins, que é enfermeira, falou com o g1 no começo de outubro. Ela escreveu o quadro do filho como irreversível.
“Não houve nenhuma alteração no quadro dele. Continua muito crítico. Eu ‘moro’ aqui com ele [hospital], e Rafael está muito instável. A união da família é o que nos mantém”, afirmou Helena Martins.
Rafael Anjos Martins, de 28 anos, está em coma desde 1º de setembro após consumir gin em SP
Arquivo Pessoal
Amigo de Rafael, o auxiliar de produção Diogo Marques de Sousa contou ao Fantástico que eles compraram as bebidas em uma adega próxima à casa dele e não desconfiaram de irregularidades.
“Eu acordei desesperado porque abri o olho e não estava enxergando nada, tudo preto e uma dor de cabeça muito forte”, relatou Diogo.
Origem do metanol pode estar ligada a combustíveis
Reprodução/TV Globo
Horas depois, Rafael e uma das amigas começaram a se sentir mal, apresentando sintomas como dor de cabeça intensa, confusão mental e problemas de visão.
Rafael foi levado imediatamente ao hospital, onde passou por procedimentos para remoção da toxina do sangue, mas os danos já tinham atingido o cérebro e o nervo óptico. Um áudio enviado por ele a uma amiga revela os primeiros sinais da intoxicação.
“Está tudo rodando, parece que estou com a pressão baixa, sei lá”, disse, ao acordar.
“É um crime o que estão fazendo. Hoje é meu filho, amanhã não sei quem pode ser”, disse a mãe de Rafael em entrevista ao Fantástico.
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Reprodução/TV Globo
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Lucas Jozino/TV Globo
Sintomas e atendimento
A recomendação do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo é que bares, empresas e demais estabelecimentos redobrem a atenção quanto à procedência dos produtos oferecidos.
Os sintomas podem incluir ataxia, sedação, desinibição, dor abdominal, náuseas, vômitos, cefaleia, taquicardia, convulsões e visão turva, principalmente após ingestão de bebidas de procedência desconhecida.
Em caso de suspeita, é fundamental buscar atendimento médico de emergência. A população pode localizar o serviço mais próximo pela plataforma https://buscasaude.prefeitura.sp.gov.br/.
O Centro de Controle de Intoxicações (CCI-SP) também oferece apoio para diagnóstico e orientação pelos telefones (11) 5012-5311 e 0800 771 3733.
Infográfico: o impacto do metanol no corpo humano.
Arte/g1
Governo de São Paulo cria força-tarefa para apurar intoxicação por metanol
