
Matteos França Campos e Soraya Tatiana
Reprodução/redes sociais
A Justiça de Minas negou o pedido de insanidade mental feito pela defesa de Matteos França Campos, réu pelo assassinato da própria mãe, a professora Soraya Tatiana, de 56 anos.
A vítima foi morta enforcada após uma discussão com o filho por questões financeiras, já que o acusado confessou ter tido problemas por falta de dinheiro após usar recursos em jogos de casas de apostas online. O réu também confessou ter ocultado o corpo da mãe perto de um viaduto em Vespasiano (relembre o caso abaixo).
A decisão, publicada na última sexta-feira (31) e divulgada nesta terça-feira (4), diz que não há no processo elementos técnicos, como relatórios médicos, que indique que Matteos sofra com algum tipo de incapacidade mental.
“No caso em apreço, o simples relato do acusado acerca de problemas com jogos de aposta, ainda que existentes, não se mostra suficiente para presumir incapacidade mental. Notadamente quando desacompanhadode qualquer documentação nesse sentido, tratando-se de situação que, por si só, não autoriza a instauração do incidente”, disse a juíza Ana Carolina Rauen.
A Justiça negou, também, a liberação de informações de bancos e sites de apostas para obter movimentações financeiras do réu. A juíza não atendeu o pedido com base no sigilo de dados do cidadão, que é protegido constitucionalmente.
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Denúncia
Matteos França Campos foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual em setembro deste ano, cerca de dois meses após o crime.
Segundo a denúncia, Matteos matou a mãe após ela se recusar a arcar com as dívidas dele. O MP também pediu o aumento da pena pela prática de asfixia com recurso que dificultou a defesa da vítima, além da manutenção da prisão preventiva do acusado.
Só pelo crime de feminicídio, caso condenado, o denunciado ter pena de até 40 anos de prisão, com possibilidade de aumento entre um terço e a metade desse tempo.
Os promotores destacaram que Soraya era vítima de violência psicológica e patrimonial, e solicitaram a fixação de um valor mínimo de reparação pelos danos causados em favor da família da professora.
A denúncia foi apresentada uma semana após a Polícia Civil concluir as investigações do caso. Agora, a Justiça analisa o documento e, caso aceite, Matteos se torna oficialmente réu e será julgado pelo Tribunal do Júri.
PERFIL: quem era a professora de História Soraya Franca
Cronologia
Matteos França Campos foi preso em 25 de julho deste ano, cinco dias após o corpo da mãe dele ser encontrado coberto por um lençol, em Vespasiano, na Grande BH. Inicialmente, sinais de violência no cadáver levantaram a suspeita de crime sexual.
Em depoimento à Polícia Civil, ele confessou ter enforcado a vítima no apartamento onde os dois moravam, em Belo Horizonte, durante uma discussão por motivos financeiros. Em seguida, disse que colocou a professora no porta-malas do carro dela e a abandonou perto de um viaduto.
As investigações apontaram que Matteos enfrentava dívidas relacionadas a apostas, havia feito empréstimos consignados e gerou boletos em nome da vítima. Ele teria “entrado em colapso” depois que a mãe reclamou da situação financeira da família.
Ainda segundo a polícia, não houve violência sexual, e o investigado tentou simular o desaparecimento da mulher. A motivação do crime, conforme os investigadores, foi o desentendimento.
Após audiência de custódia realizada no dia 27 de julho, a Justiça decretou a prisão preventiva de Matteos. A decisão foi assinada pela juíza Juliana Beretta Kirche.
Desde que foi preso, ele já foi transferido pelo menos duas vezes. Inicialmente, foi levado para o Ceresp Gameleira, depois foi encaminhado para o Presídio Inspetor José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves e, no dia 30 de julho, foi encaminhado para o presídio de Caeté, também na Grande BH.
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