Nove cágados intoxicados morrem e 38 são resgatados após vazamento de combustível de aviões em canal próximo ao Aeroporto do Recife


Vazamento de combustível de aviões atinge canal próximo ao Aeroporto do Recife
Nove cágados morreram intoxicados após um vazamento irregular de combustível de aviões em um canal da Rua Tenente Portela, no bairro do Ibura, na Zona Sul do Recife, próximo ao Aeroporto Internacional do Recife. Outros 38 foram resgatados pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) na terça-feira (4), totalizando 47 animais atingidos.
Um forte odor vindo do canal foi percebido na região na sexta-feira (31) por moradores (veja vídeo acima). Os animais resgatados foram levados ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras Tangara), no bairro da Guabiraba, na Zona Norte do Recife, para receber cuidados clínicos.
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Ao g1, a chefe do Cetras, Natalia Lígia, e o gerente da gestão de fauna da unidade, Iran Vasconcelos, contaram que os animais chegaram muito debilitados devido ao contato com o combustível.
“O quadro é de intoxicação severa, pelo contato direto com a pele e a ingestão do hidrocarboneto derivado de petróleo. Os animais apresentaram diarreia e descamação de pele por dermatite de contato, além de possíveis lesões oculares que podem gerar a perda da visão”, contou Natalia.
Segundo o Cetras, os animais passaram por uma avaliação veterinária inicial para a remoção dos vestígios do combustível e seguem em acompanhamento no local.
“Ao chegarem no centro, os animais passaram por um processo de ‘banho’ com antisséptico químico de uso medicinal e água para remoção dos vestígios de hidrocarboneto derivado de petróleo sobre a pele e carapaça. Os animais receberam aplicação de soro por via intracelomática, além de medicamentos, principalmente antitóxicos, pomadas e colírios oftálmicos”, contou.
O gerente de fauna informou que a espécie resgatada é o cágado de barbicha (Phrynops geoffroanus), comum em Pernambuco. Segundo ele, o animal pode viver até 70 anos, mas não é possível estimar a idade dos animais resgatados, apenas que são juvenis e adultos.
“O cágado de barbicha é um quelônio endêmico da América do Sul, é generalista e possui ampla distribuição no Brasil, está presente em lagos, rios e riachos, açudes, barragens e córregos urbanos. (…) Ele ocorre em todo território brasileiro, possuindo ampla distribuição e são muito comum nos corpo hídricos do Estado de Pernambuco e bastante tolerantes a ambientes poluídos”, contou Iran.
De acordo com o órgão, não existe previsão de alta médica e a chance de sobrevivência é baixa, mas os animais continuam em acompanhamento para reduzir o risco de morte e possibilitar a recuperação.
Os nove que foram encontrados mortos e também foram retirados do local, a CPRH informou que estão conservados para posterior necropsia, e o centro avalia a melhor forma de descarte das carcaças.
Cágados de barbicha foram mortos após intoxicação por combustível de avião. CPRH resgatou 38 animais vivos
Reprodução/WhatsApp
CPRH investiga vazamento
Durante a vistoria realizada na manhã da terça-feira (4), além do resgate dos animais, duas equipes técnicas da CPRH também inspecionaram o córrego que corta a área do aeroporto, bem como os tanques de combustíveis e caixas de passagem de combustíveis operadas pelas empresas Raízen, Air BP Brasil e Vibra Energia.
Em nota, a agência informou que os técnicos constataram o derramamento de um material compatível com querosene de aviação, que provavelmente vazou do Aeroporto Internacional do Recife. No local, foram encontrados resquícios do produto na saída da estação elevatória, além da constatação do odor característico do material.
A CPRH informou ainda que, nesta quarta-feira (5), uma equipe do laboratório da agência fará a coleta de amostras no córrego e no aeroporto para análise. Segundo o órgão, a Aena, administradora do complexo aeroportuário, não soube informar a origem do vazamento, se partiu de um dos tanques ou de algum caminhão de abastecimento.
A empresa já foi intimada pela Agência Estadual de Meio Ambiente para apresentar esclarecimentos e informou que acionou o plano de ação para emergências ambientais com barreiras químicas, sucção do material, contenção e limpeza.
Segundo a CPRH, a empresa vai ser autuada por contaminação do corpo hídrico e degradação contra fauna. Outras medidas serão avaliadas após o resultado da análise da água bem como a contagem final dos animais resgatados, mortos e recuperados.
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O que diz a prefeitura do Recife
Também procurada, a prefeitura do Recife informou, em nota, que a Secretaria Executiva de Controle Ambiental e Fiscalização informa que uma equipe de fiscalização esteve no local no domingo (2) e que o caso está sendo apurado para a eventual adoção das medidas cabíveis.
De acordo com o decreto municipal 30.324/2017 (que regulamenta a lei 18.211/2016), o despejo irregular de material poluente em cursos d´água é infração passível de multa que vai de R$ 200 a R$ 500 mil.
O que diz a Aena
Procurada, a Aena disse que, no sábado (1º), foi detectada a presença de combustível de aviação na rede de águas pluviais e que acionou o conjunto de empresas responsável pelo abastecimento de aeronaves no Aeroporto do Recife para tomar as devidas providências.
A Aena disse, ainda, que está à disposição das autoridades e não informou para onde as carcaças dos animais resgatados pelos moradores foram levadas.
Segundo a companhia, o serviço de abastecimento das aeronaves é gerenciado pela Raízen. Procurada pelo g1, empresa informou, por meio de nota, que “teve conhecimento do incidente ocorrido no bairro do Ipsep e já está apurando o ocorrido e adotando as providências cabíveis em colaboração com os órgãos competentes”.
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