Pedalando por Justiça Climática propõe mobilidade ativa como eixo da transição ecológica durante a COP30

Em meio aos debates globais sobre transição ecológica e justiça climática, um movimento silencioso e cada vez mais presente nas ruas chama atenção em Belém: o das bicicletas. Durante a COP30, a capital paraense recebe o evento “Pedalando por Justiça Climática, Equidade e um Futuro Sustentável Possível”, uma programação que conecta cultura amazônica, mobilidade antirracista e luta popular.
A iniciativa é realizada pela União de Ciclistas do Brasil (UCB), em parceria com o Coletivo ParáCiclo e o Espaço Cultural Ruth Costa, e integra a agenda da Yellow Zone, na periferia de Águas Lindas. Mais do que um pedal coletivo, o encontro propõe refletir sobre o papel da bicicleta como instrumento de transformação social, de inclusão e de combate à crise climática, um símbolo de cidades mais justas, seguras e sustentáveis.
O evento também marca a entrega da Carta Manifesto “Pedalando por Justiça Climática, Equidade e um Futuro Sustentável Possível” às autoridades presentes na conferência, reforçando a urgência de políticas públicas para a mobilidade ativa. Para entender como esse debate se articula no Brasil e o que está sendo proposto para o futuro das cidades, o g1 Pará conversou com Ana Carboni, conselheira da União de Ciclistas do Brasil (UCB).
O que propõe o PAC da Mobilidade Ativa e Sustentável e por que ele é estratégico para o país?
O programa propõe que caminhar e pedalar sejam reconhecidos como eixos estruturantes da infraestrutura nacional. Ele está organizado em cinco frentes — infraestrutura, governança, economia da bicicleta, educação e financiamento climático — e prevê metas como 10 mil quilômetros de ciclovias e calçadas até 2030, redução de 20% dos sinistros com pedestres e ciclistas e criação de 200 mil empregos verdes. Em um país onde 18% da população vai a pé para o trabalho, mas sem segurança, e onde o transporte responde por 44% das emissões de gases de efeito estufa, essa mudança é urgente.
Como essa proposta pode fortalecer as políticas públicas e o uso da bicicleta nas cidades?
A inclusão da mobilidade ativa no PAC garante financiamento federal contínuo e apoio técnico aos municípios, estimulando obras que considerem pedestres e ciclistas desde o planejamento. Isso fortalece leis já existentes, amplia redes seguras e cria mecanismos de monitoramento e participação social. É o passo necessário para que andar a pé e pedalar sejam direitos urbanos, e não privilégios.
Por que a mobilidade ativa ainda é pouco discutida na COP30 e qual o risco disso?
Ignorar a mobilidade ativa é deixar de lado uma das soluções mais acessíveis e de baixo carbono que as cidades têm. O transporte é um dos principais emissores e também o que mais impacta as populações vulneráveis. O manifesto da UCB para a COP30 defende que não há transição justa sem infraestrutura segura para quem anda a pé e de bicicleta, especialmente nas periferias. Belém simboliza essas desigualdades, e é justamente por isso que o tema precisa estar no centro das discussões sobre justiça climática.
Adicionar aos favoritos o Link permanente.