
Conhecido na mitologia grega como o monarca amaldiçoado a transformar em ouro tudo o que tocava, o Rei Midas simboliza até hoje os perigos da ambição desmedida. Novas pesquisas arqueológicas, no entanto, indicam que a figura pode não ter sido apenas fruto da imaginação, após a identificação de uma sepultura associada à sua linhagem. As informações são do Live Science.
O chamado túmulo de Karaağaç foi localizado na região central da Anatólia, no território da atual Turquia. As conclusões fazem parte de um estudo divulgado na revista American Journal of Archaeology na sexta-feira (9). Segundo os pesquisadores, os restos mortais encontrados pertencem a um personagem de alto escalão político do antigo reino frígio, possivelmente um familiar próximo de Midas.

A estrutura funerária está situada a cerca de 160 quilômetros do local onde historiadores situam Górdio, antiga capital da Frígia, hoje próxima a Ancara. A distância chama a atenção dos especialistas, pois contraria a ideia de que o poder político frígio se concentrava exclusivamente na capital.
Com o passar dos séculos, o sepulcro acabou encoberto por uma formação natural de aproximadamente oito metros de altura, o que selou a entrada e manteve o local oculto por quase três milênios.
Imagens de satélite permitiram identificar a área ainda em 2010, mas, quando os arqueólogos chegaram ao ponto exato, constataram que o sítio já havia sido alvo de saqueadores, o que comprometeu parte do material original.
Mesmo assim, diversos elementos sustentam a ligação com a dinastia associada a Midas. Entre eles estão o projeto arquitetônico monumental da construção, com cerca de 60 metros de diâmetro, além de objetos funerários remanescentes, como armaduras, vasos de bronze e inscrições que fazem referência direta ao nome do soberano frígio.
Para os estudiosos, o porte da tumba e a organização do espaço indicam que o sepultado não era apenas alguém rico, mas uma figura integrada ao núcleo de poder do reino, compatível com cargos como governadores regionais ou membros da família real.
Até então, peças semelhantes, como sítulas decoradas com cenas de combate, só haviam sido identificadas em Górdio, no túmulo atribuído ao provável pai de Midas. A nova descoberta amplia o entendimento sobre a extensão territorial e política da Frígia e reforça a hipótese de que o lendário rei teve, sim, raízes históricas concretas.
