EUA retiram pessoal de bases no Oriente Médio após alerta do Irã

Protestos no Irã contra Regime dos AiatolásReprodução/Wikimedia Commons

Os Estados Unidos começaram a retirar parte do pessoal de bases militares no Oriente Médio nesta quarta-feira (14), em resposta ao aumento das tensões com o Irã.

A movimentação ocorre após autoridades iranianas afirmarem ter alertado países vizinhos de que bases americanas seriam alvo caso Washington decida atacar o país.

A decisão tem caráter preventivo e está diretamente ligada ao risco de retaliação regional.

O Irã enfrenta, ao mesmo tempo, a mais grave onda de protestos internos desde a Revolução Islâmica de 1979, com milhares de mortos, segundo diferentes estimativas, e pressões externas crescentes do governo dos Estados Unidos.

Retirada ocorre em bases estratégicas

Um funcionário americano, sob condição de anonimato, disse que a retirada envolve instalações consideradas sensíveis.

Entre elas está a base aérea de Al Udeid, no Catar, a maior base dos Estados Unidos no Oriente Médio e sede avançada do Comando Central americano.

Autoridades do Catar confirmaram que a redução de pessoal está sendo realizada “em resposta às atuais tensões regionais”, segundo a Reuters.

Diplomatas ouvidos pela agência de notícias afirmaram que parte do efetivo recebeu ordem para deixar a base ainda nesta quarta-feira, sem indicação de evacuação em larga escala.

Os Estados Unidos mantêm cerca de 40 mil militares distribuídos pela região, incluindo presença no Bahrein, onde fica o quartel-general da Quinta Frota da Marinha americana.

Segundo um alto funcionário iraniano, Teerã informou a governos da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Turquia que bases americanas nesses países seriam atacadas caso os Estados Unidos bombardeiem o Irã.

O mesmo oficial afirmou que contatos diretos entre o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, e o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, foram suspensos, elevando o risco de escalada sem canais diplomáticos ativos.

Protestos e pressão de Trump

O pano de fundo da crise é a repressão aos protestos contra o regime iraniano, iniciados há cerca de duas semanas em meio à deterioração das condições econômicas.

Donald TrumpReprodução/Instagram @realdonaldtrump

Autoridades do Irã afirmam que mais de 2.000 pessoas morreram desde o início das manifestações.

Já a organização de direitos humanos HRANA, com sede nos Estados Unidos, estima 2.403 mortos entre manifestantes e 147 ligados ao governo, além de mais de 18.000 prisões.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, Abdolrahim Mousavi, disse que o país “nunca havia enfrentado esse volume de destruição”, atribuindo os distúrbios a inimigos estrangeiros, de acordo com a Reuters.

Governos ocidentais, por outro lado, classificam a repressão como a mais violenta da história recente do país.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem afirmado publicamente que adotará “medidas muito fortes” caso o Irã execute manifestantes.

Ele também incentivou os protestos, dizendo que “a ajuda está a caminho”, sem detalhar ações concretas.

  • SAIBA MAIS: Trump diz que “ajuda está a caminho” ao convocar protestos no Irã

Para analistas diplomáticos, a retirada parcial de pessoal das bases indica que Washington considera real a possibilidade de confronto indireto, com ataques a instalações militares fora do território iraniano.

Ao mesmo tempo, autoridades ocidentais avaliam que, apesar da instabilidade, o governo iraniano não está à beira do colapso e mantém controle sobre seu aparato de segurança.

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